domingo, 24 de março de 2024

A ARTE DE VALORIZAR RELAÇÕES RECÍPROCAS: UM CAMINHO ESSENCIAL PARA O BEM-ESTAR EMOCIONAL

 


Cezar Sena[1]

 




 

Em um mundo cada vez mais acelerado e conectado, a arte de cultivar e valorizar relações significativas se tornou um elemento crucial para o bem-estar emocional e a satisfação pessoal. A capacidade de discernir onde e como investimos nosso tempo, energia e emoções pode ser considerada uma habilidade essencial na busca por uma vida plena e equilibrada. Este artigo busca explorar a importância de valorizar relações recíprocas, fundamentando-se em conceitos de renomados autores como Daniel Goleman, Greg McKeown e Angela Duckworth.

 

Daniel Goleman, em sua obra "Inteligência Emocional", destaca a empatia e a habilidade de gerenciar relações como componentes fundamentais da inteligência emocional. Goleman (1995) argumenta que a capacidade de compreender e se conectar emocionalmente com os outros é a chave para relações profundas e significativas. Portanto, investir em relações que são recíprocas e enriquecedoras não apenas reflete uma alta inteligência emocional, mas também fortalece nossa rede de apoio, essencial para enfrentar os desafios da vida.

 

Já Greg McKeown, por sua vez, no livro "Essencialismo: a disciplinada busca por menos", propõe uma abordagem seletiva e intencional da vida, onde menos é mais. McKeown (2015) sugere que devemos aplicar um critério rigoroso ao decidir onde focar nossos esforços, incluindo nossas relações pessoais. Relações que são verdadeiramente valiosas e recíprocas merecem nosso tempo e energia, enquanto aquelas que são unilaterais ou drenantes devem ser reavaliadas. A aplicação do essencialismo nas relações pessoais nos encoraja a cultivar profundidade e significado, em vez de dispersar nossa atenção em um amplo espectro de conexões superficiais.

 

Angela Duckworth, em "Garra: o poder da paixão e da perseverança", explora a importância da determinação e do compromisso com metas de longo prazo. Embora o foco principal de Duckworth (2016) seja a realização pessoal e profissional, seus princípios podem ser aplicados às relações pessoais. Relações duradouras e significativas requerem garra; elas demandam um compromisso contínuo para superar desafios e a vontade de investir tempo e esforço no cultivo da profundidade e da qualidade dessas conexões.

 

A síntese desses conceitos nos leva à compreensão de que valorizar relações recíprocas é um ato de inteligência emocional, essencialismo e garra. É a capacidade de discernir quais relações valem nosso investimento emocional e temporal e a disposição para cultivá-las com empatia, foco e perseverança. Família e amigos verdadeiros, aqueles que nos oferecem apoio incondicional e compreensão, são os pilares sobre os quais podemos construir uma vida de satisfação emocional e bem-estar.

 

Sabemos que a arte de valorizar relações recíprocas é fundamental para o desenvolvimento de uma vida plena e equilibrada. Através da lente da inteligência emocional de Goleman, do essencialismo de McKeown e da garra de Duckworth, podemos ver que investir em relações significativas não é apenas uma escolha, mas uma necessidade para aqueles que buscam bem-estar emocional e satisfação pessoal. Cultivar e manter relações profundas e recíprocas é, portanto, um dos investimentos mais sábios que podemos fazer em nossa jornada pela vida.

 

Ampliando a discussão sobre como podemos melhorar nosso autoconhecimento e ter uma vida mais saudável, focada no que é essencial - família e amigos - é possível extrair dicas valiosas das obras de Daniel Goleman, Greg McKeown e Angela Duckworth. Essas orientações nos ajudam a navegar pela complexidade das relações humanas e pelo desafio de manter um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional.

 

O autoconhecimento é o processo de compreender nossos pensamentos, emoções, desejos e limitações. É um mergulho profundo em nossa essência, que nos permite identificar o que realmente valorizamos, o que nos motiva e o que precisamos modificar para viver de maneira mais autêntica e alinhada com nossos ideais. Essa jornada interna é fundamental para a construção de uma saúde mental robusta, pois ao nos conhecermos melhor, somos capazes de identificar e gerenciar nossas emoções, reconhecer padrões de pensamento nocivos e desenvolver estratégias mais eficazes para enfrentar os desafios da vida.

 

Para otimizar o desenvolvimento de nossas habilidades emocionais e aprofundar nosso autoconhecimento, apresento 10 dicas valiosas. Estas estratégias não apenas contribuirão para o seu bem-estar emocional, mas também enfatizarão a importância das ações recíprocas, fortalecendo nossas conexões interpessoais:

 

1. PRATIQUE A AUTO-OBSERVAÇÃO ATIVA:  para Goleman, o autoconhecimento começa com a auto-observação. Reserve momentos do dia para refletir sobre suas emoções, pensamentos e reações. Isso aumenta sua inteligência emocional, permitindo que você entenda melhor suas necessidades e as dos outros.

 

2. DEFINA SUAS PRIORIDADES ESSENCIAIS: Inspirado em McKeown, identifique o que é verdadeiramente essencial em sua vida. Pergunte-se: "O que é absolutamente necessário para minha felicidade e bem-estar?" Isso pode incluir passar tempo de qualidade com a família e amigos.

 

3. APRENDA A DIZER NÃO: Para focar no essencial, você precisará dizer não a muitas coisas e pessoas. Não se trata de ser rude, mas de proteger seu tempo e energia para o que realmente importa.

 

4. CULTIVE RELAÇÕES PROFUNDAS: Baseando-se em Goleman, invista tempo e energia em relações que ofereçam reciprocidade emocional. Relações profundas e significativas são a base para uma vida emocionalmente rica.

 

5. EXERCITE A GRATIDÃO: Pratique diariamente a gratidão pelas pessoas e momentos especiais em sua vida. Isso reforça os laços familiares e de amizade, além de melhorar seu bem-estar emocional.

 

6. ESTABELEÇA METAS RELACIONAIS: Inspirado em Duckworth, estabeleça metas para suas relações pessoais. Isso pode incluir dedicar um tempo semanal para estar com a família ou amigos, sem distrações.

 

7. MANTENHA-SE FIEL AOS SEUS VALORES: Seus valores fundamentais devem guiar suas decisões e ações. Isso inclui escolher passar tempo com quem compartilha desses valores e contribui positivamente para sua vida.

 

8. PRATIQUE A ESCUTA ATIVA: Melhore suas relações sendo um bom ouvinte. Isso não apenas fortalece laços, mas também promove uma compreensão mais profunda das necessidades e desejos dos outros.

 

9. ABRACE A IMPERFEIÇÃO: Aceite que tanto você quanto as pessoas ao seu redor são imperfeitas. Isso ajuda a cultivar a paciência e a compreensão nas relações, elementos essenciais para uma vida familiar e social harmoniosa.

 

10. ENCONTRE TEMPO PARA A SOLITUDE: Embora as relações sejam essenciais, o tempo sozinho é crucial para o autoconhecimento. Use esses momentos para refletir, meditar ou simplesmente estar consigo mesmo, permitindo que você recarregue as energias e mantenha o foco no que é essencial.

 

Implementando essas dicas, inspiradas nos ensinamentos de Goleman, McKeown e Duckworth, podemos não apenas melhorar nosso autoconhecimento, mas também enriquecer nossas vidas focando no que realmente importa: as relações com família e amigos. Esse enfoque não apenas promove uma vida mais saudável e equilibrada, mas também nos permite construir um legado de amor, apoio e compreensão mútua.

 

O autoconhecimento e a saúde mental são fundamentais para viver uma vida plena e significativa. Ao abraçar essa jornada de descoberta pessoal e cuidado emocional, não apenas melhoramos nossa própria qualidade de vida, mas também contribuímos para a construção de uma sociedade mais compassiva e resiliente. É um convite para todos nós refletirmos sobre nossas próprias vidas, reconhecendo a importância de cuidar de nossa saúde mental com a mesma dedicação que cuidamos de nossa saúde física. Juntos, podemos criar um futuro em que o bem-estar emocional e psicológico seja uma prioridade compartilhada, abrindo caminho para uma comunidade mais saudável, feliz e harmoniosa.

 

A reflexão sobre a importância de valorizar aqueles que nos valorizam e respeitam é fundamental para o desenvolvimento de relações saudáveis e para a manutenção do nosso bem-estar emocional. Em um mundo cada vez mais conectado, mas paradoxalmente isolado, reconhecer e nutrir os laços com aqueles que genuinamente se importam conosco torna-se um pilar essencial para a construção de uma vida plena e significativa.

 

Portanto a importância da reciprocidade nas relações baseadas na reciprocidade e no respeito mútuo são fundamentais para o nosso desenvolvimento emocional e psicológico. Quando investimos tempo e energia em pessoas que valorizam nossa presença e contribuição em suas vidas, criamos um ciclo virtuoso de apoio e carinho. Isso não significa que todas as relações devem ser perfeitas ou livres de conflitos, mas sim que o fundamento dessas relações deve ser o respeito mútuo e o desejo genuíno de ver o outro feliz e realizado.

 

 

REFERÊNCIAS

 

DUCKWORT, Angela. Garra: o poder da força e da perseverança. 1º ed. Rio de Janeiro : Intrínseca, 216.

 

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. 10ª Ed. Rio de Janerio : Editora Objetiva, 1995.

 

MCKEOWN, Greg. Essencialismo. Rio de Janeiro : Sextante, 2015.

 



[1] MESTRE em Educação – PUC/SP; Especialista em Gestão da Escola – USP; MBA em Gestão Empreendedora – UFF; Neuropsicopedagogo; Psicopedagogo e Pedagogo. Diretor de Escola Pública; Professor universitário; Escritor; Palestrante e blogueiro.  Insta: @cezar.sena

sábado, 9 de março de 2024

DESVENDANDO A ZONA DE CONFORTO: UM CONCEITO MAL-ENTENDIDO

CEZAR SENA[1]



Em uma sociedade cada vez mais pautada por discursos motivacionais e mantras de autoajuda, um conselho parece ressoar com uma frequência quase inquestionável: a necessidade de "sair da zona de conforto". Mas, ao nos debruçarmos sobre essa afirmação tão difundida, somos compelidos a questionar: que zona de conforto é essa, afinal? E mais intrigante ainda, quantos de nós realmente habitamos esse espaço de comodidade e estagnação que, paradoxalmente, nos é constantemente instigado a abandonar?

O conceito de zona de conforto, embora possa parecer simples à primeira vista, carrega consigo uma complexidade e uma ambiguidade que merecem uma análise mais aprofundada. Tradicionalmente, essa "zona" é descrita como um estado mental em que um indivíduo se sente familiarizado com seu ambiente e suas atividades, ao ponto de experimentar baixos níveis de ansiedade e estresse. Nesse sentido, permanecer na zona de conforto é frequentemente associado à falta de crescimento pessoal, ao comodismo e à resistência à mudança.

Entretanto, ao observarmos a realidade que nos circunda, somos confrontados com uma pergunta provocativa: conhecemos alguém que, de fato, esteja vivendo nesse suposto nirvana de conforto e satisfação plena? A vida moderna, com suas demandas incessantes e seu ritmo acelerado, parece estar mais para um campo minado de desafios e incertezas do que para um refúgio de tranquilidade e contentamento. Portanto, a insistência em nos exortar a sair de uma zona de conforto pressupõe, de maneira um tanto quanto presunçosa, que nos encontramos nela.

Ademais, a ideia de que, uma vez acomodados nessa zona, deveríamos almejar sair dela a todo custo, ignora a complexidade das experiências humanas. Se, hipoteticamente, alguém se encontrasse nesse estado de conforto absoluto, por que haveria de querer abandoná-lo? A busca por desafios, crescimento e autoconhecimento é, sem dúvida, valiosa, mas não deveria ser vista como uma fuga de um estado de bem-estar, e sim como um caminho para alcançá-lo ou ampliá-lo.

A realidade é que a "zona de conforto" tornou-se um conceito tão amplamente utilizado que seu significado original se diluiu, transformando-se em uma espécie de clichê motivacional. Isso não apenas simplifica excessivamente a complexa tessitura da vida humana, mas também pode gerar uma pressão desnecessária sobre indivíduos que já se encontram em constante estado de tensão e desafio.

Portanto, talvez seja o momento de repensarmos essa obsessão coletiva com a saída da zona de conforto. Em vez de encararmos o conforto como algo negativo, que deve ser evitado a todo custo, poderíamos começar a valorizar os momentos de paz e satisfação que conseguimos encontrar em nossas vidas tumultuadas. Isso não significa abdicar do crescimento pessoal ou da busca por novas experiências, mas sim reconhecer que o equilíbrio entre conforto e desafio é fundamental para uma vida plena e significativa.

Em última análise, a verdadeira zona de conforto talvez resida na capacidade de estar em paz consigo mesmo, independentemente das circunstâncias externas. Nesse sentido, mais do que nos exortar a sair de uma zona de conforto imaginária, deveríamos nos encorajar a construir uma vida em que o conforto venha não da estagnação, mas da harmonia entre nossos desejos, nossas ações e nosso bem-estar. Assim, a zona de conforto deixaria de ser um lugar do qual precisamos fugir e se tornaria um estado de espírito a ser cultivado.

A reflexão sobre a zona de conforto, especialmente no contexto dos gurus de autoajuda e do desenvolvimento pessoal, merece uma análise mais aprofundada. Muitos autores e palestrantes têm recorrido à ideia de "sair da zona de conforto" como um mantra quase universal para o sucesso e a realização pessoal. Este conceito, embora possa ter suas raízes em observações válidas sobre crescimento pessoal e superação de limites, frequentemente é simplificado e apresentado de maneira descontextualizada, transformando-se mais em um chavão do que em um conselho genuinamente útil.

Tony Robbins, por exemplo, é um dos mais conhecidos coaches de vida e autoajuda, cujas ideias frequentemente giram em torno de quebrar as próprias barreiras, enfrentar medos e, implicitamente, sair da zona de conforto. Robbins sugere que a chave para uma vida extraordinária é constantemente desafiar a si mesmo, estabelecendo e alcançando novos objetivos que estão fora da sua zona de conforto atual. Embora suas intenções possam ser inspiradoras, a aplicação prática desses conselhos pode ser desafiadora para muitos, especialmente quando as circunstâncias da vida real impõem limitações significativas que não podem ser simplesmente superadas por vontade ou motivação.

Mel Robbins, autora do best-seller "The 5 Second Rule", também aborda a ideia de sair da zona de conforto, mas de uma maneira um pouco diferente. Ela incentiva as pessoas a agirem impulsivamente (dentro de cinco segundos) para evitar que o cérebro as impeça de fazer mudanças significativas, argumentando que essa é uma maneira de forçar-se para fora da zona de conforto. Enquanto a "Regra dos 5 Segundos" pode ser útil para algumas pessoas em certas situações, criticamente, pode-se argumentar que ela simplifica excessivamente a complexidade das emoções humanas e das decisões de vida, sugerindo uma solução quase universal para uma variedade de problemas.

Brené Brown, conhecida por seu trabalho sobre vulnerabilidade, coragem e vergonha, oferece uma perspectiva ligeiramente diferente. Embora não se concentre explicitamente na "zona de conforto", Brown discute a importância de se expor, ser vulnerável e enfrentar o desconhecido – conceitos intimamente relacionados à ideia de sair da zona de conforto. No entanto, Brown aborda esses temas com uma nuance e uma profundidade que muitas vezes faltam em outras obras de autoajuda, reconhecendo a complexidade e os desafios emocionais envolvidos nesse processo.

A questão central com o uso descontextualizado da ideia de sair da zona de conforto por esses e outros autores de autoajuda é a falta de reconhecimento da diversidade das experiências humanas. Não é apenas uma questão de força de vontade ou desejo de mudança; fatores como saúde mental, condições socioeconômicas, responsabilidades familiares, e traumas passados podem afetar significativamente a capacidade de uma pessoa de "sair da zona de conforto". Além disso, essa narrativa frequentemente ignora o valor do conforto em si – a importância de encontrar paz, estabilidade e alegria nas áreas da vida que já são satisfatórias.

Portanto, enquanto a ideia de sair da zona de conforto pode ser apresentada como uma solução simplista para alcançar o crescimento pessoal e a realização, é crucial reconhecer as limitações desse conselho. Uma abordagem mais equilibrada e contextualizada, que considere as circunstâncias individuais e valorize tanto o crescimento quanto o bem-estar, pode ser mais eficaz e realista para muitas pessoas.

Conciliar uma vida confortável com desafios que promovam o crescimento pessoal é uma arte que requer equilíbrio, autoconhecimento e uma abordagem intencional. Aqui estão cinco dicas preciosas para alcançar esse equilíbrio, garantindo que você possa desfrutar do conforto enquanto se desafia a crescer e evoluir:

1.      Estabeleça metas pessoais alinhadas com seus valores - reflexão e alinhamento: Dedique tempo para refletir sobre o que realmente importa para você. Quais são seus valores fundamentais? O que faz você se sentir vivo e realizado? Estabeleça metas que estejam alinhadas com esses valores, pois isso garantirá que seus desafios sejam significativos e gratificantes.

1.1  Metas SMART: Utilize o critério SMART (Específicas, Mensuráveis, Atingíveis, Relevantes, Temporais) para definir suas metas. Isso ajudará a tornar seus desafios claros e alcançáveis, aumentando a sensação de realização e satisfação ao atingi-los.

2.      Cultive uma mentalidade de crescimento - aprenda com os erros: Veja os erros e fracassos como oportunidades de aprendizado. Desenvolver uma mentalidade de crescimento significa entender que a habilidade e a inteligência podem ser desenvolvidas com esforço, tempo e dedicação.

2.1  Celebre pequenas vitórias: Reconheça e celebre suas conquistas, mesmo as pequenas. Isso reforça o sentimento de progresso e motivação.

3.      Priorize o autocuidado - equilíbrio entre trabalho e vida pessoal: Encontre um equilíbrio saudável entre trabalho e lazer. Dedicar tempo para si mesmo, para a família e para hobbies é crucial para manter o bem-estar físico e mental.

3.1  Saúde Física e Mental: Mantenha uma rotina regular de exercícios, uma alimentação equilibrada e procure práticas de mindfulness ou meditação. Esses hábitos são fundamentais para manter a energia e o foco necessários para enfrentar desafios.

4.      Cerque-se de pessoas que inspiram e apoiam - comunidade de suporte: Esteja rodeado de pessoas que compartilham de seus valores, que o inspiram a ser sua melhor versão e que oferecem apoio nos momentos de desafio.

4.1  Mentoria e Networking: Busque mentores e construa uma rede de contatos que possam oferecer conselhos, compartilhar experiências e abrir portas para novas oportunidades.

5.      Adote a flexibilidade e a abertura para mudanças - flexibilidade: Esteja aberto a ajustar seus planos e metas conforme você cresce e suas circunstâncias mudam. A vida é imprevisível, e a flexibilidade é chave para se adaptar e aproveitar novas oportunidades.

5.1  Curiosidade e aprendizado contínuo: Mantenha-se curioso e em busca de novos conhecimentos e habilidades. O aprendizado contínuo não só contribui para o seu desenvolvimento pessoal, mas também mantém a vida interessante e desafiadora.

Implementando essas dicas, você pode criar uma vida que equilibra conforto e desafio de maneira saudável e gratificante. Lembre-se de que o equilíbrio perfeito é pessoal e varia ao longo do tempo, exigindo ajustes e reflexões contínuas.

Portanto, é fundamental compreender que não há motivo para se sentir culpado por desfrutar de momentos na "zona de conforto". Quando essas fases chegarem, é essencial reconhecê-las como oportunidades valiosas que a vida nos apresenta. A chave reside em viver intensamente o momento presente, abraçando-o com plenitude, pois ele representa a única certeza e o único aspecto de nossa existência sobre o qual temos controle real. Assim, permita-se saborear cada instante de conforto e tranquilidade, sem perder de vista a importância de se desafiar e crescer, pois é na harmonia entre esses dois estados que encontramos o verdadeiro equilíbrio e a essência de uma vida plena e significativa.



[1] MESTRE em Educação – PUC/SP; Especialista em Gestão da Escola – USP; MBA em Gestão Empreendedora – UFF; Neuropsicopedagogo; Psicopedagogo e Pedagogo. Diretor de Escola Pública; Professor universitário; Escritor; Palestrante e blogueiro.  Insta: @cezar.sena 

 

quarta-feira, 6 de março de 2024

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DESCONTEXTUALIZADAS E O FRACASSO ESCOLAR

 

CEZAR SENA[1]

 


Você já observou que todos têm uma opinião a respeito de como melhorar a educação? O fato é que não se faz educação séria com opinião, mas com procedimentos teóricos e práticas validados cientificamente.  Se fosse tão fácil assim, o Brasil não seria um dos últimos países no ranking de educação do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, em português), com índices alarmantes de alunos com defasagem na aprendizagem. Com esforços de todos e com técnicas validadas, é possível superar essa defasagem dos estudantes.

Para superar essas problemáticas, as políticas públicas educacionais devem considerar as diversas realidades, com investimento na formação dos profissionais da educação, monitoramento da aprendizagem e incentivo à participação dos responsáveis na vida escolar dos seus filhos.

É essencial que os profissionais da educação desenvolvam novos hábitos, incorporando ao seu fazer pedagógico novas estratégias alinhadas ao uso das tecnologias. O novo cenário educacional é digital; os alunos são digitais. Um dos problemas é o conflito de gerações; alguns profissionais da educação resistem a mudança, continuam analogicamente. Não adianta querer impor nosso modelo antigo, acreditando ser o melhor. Foi melhor naquele contexto; isso não significa que será para esta nova geração. Insistir nesses procedimentos é como querer abrir um disquete num aparelho de smartphone: impossível, porque são tecnologias incompatíveis. Além disso, o processo educacional é um processo coletivo e ativo. As novas pesquisas educacionais apontam para a aprendizagem coletiva e colaborativa. Assim sendo, é preciso menos competição e mais colaboração!

Precisamos rever a tentação de querer “importar” sucessos educacionais de outros países sem as devidas adequações e contextualizações para a realidade brasileira. Foi assim com o chamado “construtivismo” nos anos 90 e 2000 de Piaget e Emília Ferreiro; depois as ideias do educador Português José Pacheco, por meio das quais os estudantes organizam-se com base nos seus interesses, por projeto de pesquisa, e, por fim a “educação finlandesa”, com seus valores e princípios fundamentados no humanismo e universalismo, inclusão, equidade e descentralização. Todos esses modelos têm aspectos positivos, mas, aplicados fora de contexto, não surtem os efeitos esperados.

Penso que o equívoco está justamente em querer fazer a transposição dos procedimentos validados em certo contexto sócio-histórico e econômico, sem ponderar a realidade das escolas públicas brasileiras. Nas últimas décadas, os educadores vêm sendo bombardeados com várias correntes pedagógicas que tentam explicar a melhor maneira de ensinar os estudantes. Na prática, os educadores nunca se sentiram tão perdidos diante de tantas opções.

Para que o professor possa ser considerado eficiente, é necessário que todos os seus alunos aprendam. A escola e as práticas pedagógicas precisam ser inclusivas, adequando-se às reais necessidades dos estudantes, considerando os estilos de aprendizagem de todos. Por outro lado, os responsáveis pelos discentes também precisam assumir seu papel de corresponsáveis nesse processo educacional, pois, conforme aponta a Constituição Brasileira, a educação é “direito de todos e dever do Estado e da Família” e de toda a Sociedade.


Fonte: Revista Cidade Nova. Março de 2024 p38. www.cidadenova.org.br 



[1] Mestre em Educação – PUC/SP; Especialista em Gestão da Escola – USP; MBA em Gestão Empreendedora – UFF; Neuropsicopedagogo; Psicopedagogo e Pedagogo. Diretor de Escola Estadual. Professor universitário. Escritor e Palestrante.  Insta: @cezar.sena

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

15 DE OUTUBRO DIA DO PROFESSOR

 NÃO QUEREMOS HOMENAGENS!

Cezar Sena[1]

 


É inegável a importância do respeito, reconhecimento e valorização dos professores não apenas em ocasiões especiais, como o mês de outubro, mas durante todo o ano. A educação desempenha um papel fundamental na sociedade, e os professores são os principais agentes dessa transformação. Neste período comemorativo é comum, frases como: “Professor a profissão que forma outras profissões”. “Professor o esteio da sociedade”. Mas depois dos momentos de euforia e nostalgia, tudo continua, como sempre. Ou seja, o desrespeito e desvalorização da profissão do professor no dia a dia permanece. As homenagens e mensagens carinhosas são importantes para reconhecer o trabalho árduo dos professores, mas o respeito e a valorização devem se traduzir em ações concretas e mudanças estruturais no sistema educacional e na sociedade.

Não queremos apenas homenagens, mas RESPEITO, RECONHECIMENTO e SALÁRIO DIGNO. Como diz um ditado popular “palavras bonitas não enchem a barriga”. Não! Não estou sendo ingrato ou pessimista, a intenção é provocar reflexão. Basta pesquisar na mídia os casos de violência, desrespeito e condições de trabalho dos professores, que entenderão do que estou alertando. Fiz uma breve enquete nas minhas redes sociais, perguntando “qual o maior desafio dos professores hoje?” Eis alguns depoimentos: “falta de compromisso e parceria da família”, “manter o aluno interessado”, “ter atenção e respeito dos alunos”, “competir com o celular” e “indisciplina e intolerância dos alunos”. Penso que para minimizar tais situações, as famílias precisam supervisionar a conduta dos filhos, promover rotina estável e hábitos virtuosos, apoiar os profissionais da educação no seu fazer pedagógico, numa atitude de corresponsabilidade na educação dos estudantes. A verdadeira homenagem aos professores, seria:

1. Investimento na educação: é essencial que governos e instituições invistam de maneira significativa na educação, incluindo a melhoria das condições de trabalho dos professores e o aumento de salários. Um sistema educacional forte exige professores motivados e bem remunerados;

2.  Formação continuada: os professores devem receber oportunidades contínuas de formação e atualização de suas habilidades, para poderem oferecer uma educação de qualidade aos alunos;

3.  Parceria com famílias: a parceria entre escolas e famílias é fundamental. Os pais desempenham um papel vital no apoio ao processo educacional de seus filhos e no respeito aos professores;

4.    Promoção de ambientes de aprendizado respeitosos: é responsabilidade tanto dos professores quanto dos gestores escolares criar ambientes de sala de aula onde o respeito e a disciplina sejam valorizados. Isso envolve abordar questões de indisciplina e intolerância de maneira eficaz;

5.   Saúde emocional dos professores: os gestores educacionais devem estar atentos à saúde emocional dos professores, fornecendo suporte e recursos para lidar com o estresse e a pressão da profissão;

6.  Conscientização pública: é importante sensibilizar a sociedade sobre a importância da educação e do papel fundamental dos professores na formação de cidadãos responsáveis e informados;

7.  Reconhecimento público: além de palavras bonitas, é importante que a sociedade reconheça e valorize publicamente o papel fundamental dos professores na formação da sociedade;

8. Participação em mudanças educacionais: professores devem ser consultados e envolvidos em decisões que afetam a educação, como mudanças no currículo e políticas educacionais;

9. Reformas Educacionais Significativas: às vezes, são necessárias reformas educacionais significativas para melhorar o sistema como um todo, incluindo a redução de burocracia desnecessária e a promoção de práticas de ensino eficazes e, acima de tudo

10. Salário Digno: os professores desempenham um papel crucial na formação das futuras gerações, e um salário digno é essencial para atrair e reter talentos na profissão.

É essencial que todos compreendam que a valorização dos professores não é apenas uma questão de palavras, mas de ações concretas que fortaleçam a educação e promovam um ambiente de aprendizado respeitoso e eficaz. Afinal, a qualidade da educação tem um impacto direto no futuro da sociedade.

Portanto, a homenagem que nós professores queremos de fato é o respeito e a valorização no dia a dia. Nossa melhor homenagem seria: os pais participando da vida escolar do seu filho, apoiando a ações dos professores, reforçando as aprendizagens da escola. Alunos prestando atenção nas aulas e tratando os professores com respeito e dignidade (não com palavras de baixo calão e ofensivas). Por fim, os gestores de sistema e escolar precisam apoiar - cuidar da formação e saúde emocional dos professores. Só assim, de fato essas homenagens teriam sentido e significado para nós. Fora isso, são palavras vazias e estéreis.



[1] Mestre em Educação – PUC/SP. Especialista em Gestão – USP; MBA em Gestão Empreendedora – UFF. Diretor de Escola Estadual. Professor universitário. Escritor, Coach e Palestrante.  Insta: @cezar.sena

quarta-feira, 12 de abril de 2023

ESCOLA + VIOLÊNCIA = SOCIEDADE: O difícil desafio da convivência

 


Cezar Sena[1]

 

Estava um pouco resistente em escrever sobre o assunto que envolve os atentados nas escolas. Ainda abalado com os últimos acontecimentos (assassinado de uma professora de 71 anos por um aluno de 13 em São Paulo e de 04 crianças em uma creche em Blumenau em Santa Catarina). Entretanto, a pedido da editora do Jornal da ACE – VGP aceitei o desafio. Como o tema provocou em todos nós sensações e sentimentos diversos, dentre eles revolta, medo, indignação, tristeza e impotência, procurei fazer uma reflexão pessoal a partir do meu cotidiano e de alguns estudos sobre a problemática em questão. Para quem ainda não me conhece, apresento-me para que compreendam de qual lugar estou escrevendo: sou professor da Educação Básica desde 1998, diretor de escola pública desde 2009 e professor universitário desde 2008 (atuando nos cursos de pedagogia, psicopedagogia e neuropsicopedagogia). Portanto, estou atuando como educador há 25 anos, tendo exercido várias funções.

Posto isso, vamos à análise. A escola é o reflexo da sociedade. Sabemos que a violência não é uma prerrogativa das ESCOLAS, mas da SOCIEDADE que, cada vez mais polarizada, é violenta e intolerante. A cultura armamentista, a polarização do nós contra eles e do princípio maniqueísta do Bem contra o Mal, bem como as crises sociais instauradas pela PANDEMIA da COVID-19 contribuíram significativamente para o aumento dos atos de violência, intolerância e bullying nas escolas. O que a mídia divulga é, contudo, apenas a ponta o iceberg. Nós educadores convivemos diariamente com tudo isso há anos e, apesar de muitos apelos, quase ninguém nos ouve, acham que reclamamos demais. Agora, devido às recentes tragédias de repercussão nacional, o que infelizmente não foi isolado, surge uma onda de especulações sobre a tendência de aumento de atentados deste tipo associados a diversos supostos tipos de motivação dos crimes. Segundo o site G1[2], “subiu para 24 o número de ataques violentos a escolas do Brasil desde 2002, conforme aponta um estudo da  Unicamp, foi contabilizado ao menos 23 casos até março deste ano. O mais recente aconteceu nesta terça-feira (5) em uma creche em Blumenau, Santa Catarina”.

É urgente, pois, que a sociedade pare de se preocupar com questões irrelevantes ou comportamentais (banheiros unissex, escola sem partidos, linguagens neutras, dentre outras...) e foque no essencial: elaboração de políticas públicas de governo e não de partidos. É necessária a criação de mecanismos que garantam efetivamente a participação da família no acompanhamento da vida escolar dos filhos e sejam responsabilizadas pelo não cumprimento das medidas garantidas legalmente. De acordo com a Constituição Federal de 1988, artigo 205, a educação, direito de todos é DEVER DO ESTADO E DA FAMÍLIA, devendo ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. Conforme aponta a Constituição, é um dever de todos, mas o que observamos nas escolas é uma negligência de muitas famílias. Algumas, inclusive, querem transferir todas suas responsabilidades para a escola.

Não estou aqui, com esse argumento, colocando a culpa na família, mas chamando a atenção para a sua responsabilidade na parte que lhe cabe na educação das crianças de acordo com a legislação. Quando a escola convoca os responsáveis para resolver questões da vida escolar dos alunos, ora por indisciplina, vandalismo ou por questões de aprendizagem, muitos alegam não ter tempo. No entanto, quando o filho reclama que algum profissional da educação chamou sua atenção por algum comportamento inadequado de modo mais incisivo alegam que o filho foi constrangido ou que falaram alto com ele. Neste momento, eles arrumam tempo e vêm “brigar” com a equipe escolar, reforçando o comportamento inadequado do filho, isso quando não há denúncia da escola antes do apuramento dos fatos. Para elucidar, relato três episódios que acompanhei e que evidenciam meu argumento:

1.      Aluno (15 anos) foge da escola. Notificamos os responsáveis. A mãe chega já alterada alegando que o filho saiu porque o portão estava aberto. Informarmos que estávamos recebendo merenda escolar e ele aproveitou a oportunidade e fugiu. Ao invés de corrigir o filho, apontou o “erro” da escola;

2.      Pai chega nervoso, acusando um professor de ter agredido o filho. Acolhemos a acusação e informamos que iríamos apurar e retornaríamos. Após a apuração, não foi constatado nenhum ato de violência por parte do professor. Pelo contrário, as câmeras mostraram o professor circulando por toda a sala de informática, conferindo os computadores dos alunos (era dia da Prova Paulista). A gravação mostrou que o diretor e a vice-diretora entraram na sala para verificar a conexão da internet, nem o aluno em questão, nem os colegas relataram episódios de violência. O pai foi comunicado para comparecer na escola para o retorno da apuração, mas até hoje não compareceu. Agora eu pergunto: se não tivéssemos as câmeras dentro da sala de aula? Seria a palavra de um adolescente de 13 anos contra a do professor. Adivinhe quem levaria a culpa? Será que as autoridades e a mídia viriam perguntar nossa versão?

3.      Aluno de 15 anos leva uma arma para escola na mesma semana do ataque que matou a professora em São Paulo. Na sala da direção, o aluno entrega a arma (simulacro) que segundo ele trouxe para “brincar”. Recolhemos a arma, acionamos o protocolo de segurança e a família. A mãe alega que deram de presente a arma para o filho, pois ele, há mais de 05 anos, estava pedindo uma arma de brinquedo.

Perceberam a gravidade do problema? A sociedade está doente. As famílias não têm autoridade com os filhos. Têm dificuldade de dizer NÃO para eles. Erroneamente, querem dar aos filhos o que alegam que não tiveram na infância e, com essas atitudes, as famílias não conseguem impor limites, fazendo com que as crianças e jovens cresçam com dificuldades de seguir regras básicas de convivência em ambientes coletivos exteriores à família.

Neste sentido, admite-se que educar pressupõe a coragem de dizer NÃO. Educar é um ato ritualístico, com normas claras para todos os envolvidos. Para a maioria das crianças, é na escola que elas têm o contato com as REGRAS e com os limites do que podem e do que não podem fazer. Infelizmente, é preciso elucidar que estamos criando uma geração de “mimados”, “frustrados” e “intolerantes”. Não sabem esperar a vez, nem na fila do refeitório, querem tudo para ontem. Precisamos, enquanto ainda há tempo resgatar alguns procedimentos de convivência harmônica em sociedade, reforçar a defesa pelos protocolos da boa educação, como pedir licença, por favor e agradecer.  

Partindo das observações, das vivências e das leituras, aponto três dicas para os pais acompanharem e monitorarem os comportamentos dos filhos. Pais, não tenham medo de ser exigentes e “chatos”. Os pais não necessariamente precisam ser “legais”. Precisam ser pais, exercer sua autoridade com responsabilidade, discernimento e coragem. Lembrem-se de:

1.      REVISTAR mochilas e quartos. Os quartos não são propriedade privada dos filhos onde os pais não podem entrar. Não só podem, como devem e, de vez enquanto, inspecionar;

2.      ACOMPANHAR e monitorar o acesso das redes sociais dos filhos – ligar o alerta com o excesso de tempo conectados ou com muito tempo no quarto fechado. O acompanhamento deve ser feito com muito diálogo, respeito e orientação, levando em conta a idade dos filhos (determine um tempo). Hoje existem, inclusive, aplicativos de monitoramento;

3.      Fiquem atento a qualquer mudança de COMPORTAMENTO ou de HUMOR do seu filho. Caso perceba que não consegue lidar com a situação, peça ajuda, de preferência para especialistas em saúde mental. Não minimize ou subestime. Lembre-se do ditado popular “prevenir é melhor do que remediar”.

Enfim, o assunto é muito complexo, sensível e necessário. Não dá mais para fingirmos que está tudo bem. Não está! Precisamos juntos buscarmos soluções coletivas e colaborativas. Um dos caminhos que considero importante é a PARCERIA de todos em prol de uma CULTURA DE PAZ que valoriza e respeita as diferenças, pois sabemos que o “sucesso escolar é o resultado da parceria entre família e escola em uma atitude de complementariedade e responsabilidade. Precisamos superar essa ideia equivocada e procurar culpados, mesmo porque não há culpados, mas responsáveis” (SENA, 2022, p. 37)[3].



[1] Mestre em Educação – PUC/SP. Especialista em Gestão – USP; MBA em Gestão Empreendedora – UFF. Diretor de Escola Estadual. Professor universitário. Escritor, Coach e Palestrante.  Insta: @cezar.sena

[3] Fonte: SENA, Cezar. Reflexões sobre a educação no contexto da pandemia. Editora Cidade Nova, 2022.

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