domingo, 25 de janeiro de 2026

Preferimos os políticos de PROMESSAS aos de PROPÓSITOS

Cezar Sena[1]



Vamos ser sinceros: quem não adora uma boa promessa? Aquela fala mansa que nos entrega exatamente o que queremos ouvir, sem muito esforço, sem a chateação de pensar em como, quando ou por quê. No balcão da política, esse produto é um best-seller. Milhares de políticos são eleitos não por seus projetos consistentes ou por uma visão de futuro embasada, mas sim por venderem o paraíso com parcelas a perder de vista.

 

A ironia, meus caros, é que depois de comprar o pacote "sonho sem limites", somos os primeiros a reclamar da entrega. Ou, mais precisamente, da falta dela. Nos revoltamos nas redes sociais, indignamo-nos nos grupos de família, mas no fundo, bem no fundo, precisamos confessar: “nós preferimos os políticos de PROMESSAS aos de PROPÓSITOS”

 

E por que diabos fazemos isso? É um vício coletivo em gratificação instantânea. Uma promessa é como um doce: gostoso na hora, mas com consequências a longo prazo para a saúde pública (e de todas as outras áreas). O político de propósito, por outro lado, é como aquele médico que te receita dieta e exercícios: necessário, eficaz, mas um porre de seguir. Ele fala em sustentabilidade, em educação de base, em infraestrutura que não se vê de um dia para o outro. Ele fala em sacrifícios hoje para um futuro melhor. E quem quer ouvir isso quando o vizinho está prometendo um unicórnio para cada eleitor?

 

A verdade é que a política, essa "arte do bem coletivo", não funciona no piloto automático. Ela é um espelho do que somos, das nossas prioridades mais íntimas. Se continuamos a aplaudir o circo das promessas mirabolantes, se nos deixamos seduzir pela facilidade do discurso que não cobra nada em troca, estamos, na prática, escolhendo a estagnação em vez do avanço. Estamos trocando o desenvolvimento real por um piscar de olhos e uma falsa sensação de esperança.

 

É fácil apontar o dedo para "eles", os políticos. Mas e "nós"? Qual é o nosso propósito enquanto eleitores, enquanto cidadãos? Será que estamos dispostos a sair da zona de conforto de esperar milagres e começar a exigir planos? A valorizar a visão de longo prazo em detrimento do espetáculo eleitoreiro?

 

Se a política é a arte de gerir o que é comum a todos, então a qualidade dessa arte dependerá da sensibilidade e da consciência dos seus apreciadores – nós. Enquanto continuarmos a dar palco para quem promete rios de leite e mel sem sequer ter uma vaca ou uma abelha, continuaremos a viver num eterno "quase lá". É hora de amadurecer. É hora de curar o vício das promessas e abraçar a responsabilidade dos propósitos. O bem coletivo agradece. E o futuro, mais ainda.



[1] MESTRE EM EDUCAÇÃO: psicologia da educação – PUC/SP; Especialista em Gestão – USP; MBA em Gestão Empreendedora – UFF; Neuropsicopedagogo, psicopedagogo e pedagogo. Diretor de Escola Estadual; Prof. Universitário; Escritor, Coach e Palestrante.  Insta: @cezar.sena / Youtube: PODSENA

Preferimos os políticos de PROMESSAS aos de PROPÓSITOS

Cezar Sena [1] Vamos ser sinceros: quem não adora uma boa promessa? Aquela fala mansa que nos entrega exatamente o que queremos ouvir, se...