Cezar Sena[1]
Vamos
ser sinceros: quem não adora uma boa promessa? Aquela fala mansa que nos
entrega exatamente o que queremos ouvir, sem muito esforço, sem a chateação de
pensar em como, quando ou por quê. No balcão da política, esse produto é um
best-seller. Milhares de políticos são eleitos não por seus projetos consistentes
ou por uma visão de futuro embasada, mas sim por venderem o paraíso com
parcelas a perder de vista.
A
ironia, meus caros, é que depois de comprar o pacote "sonho sem
limites", somos os primeiros a reclamar da entrega. Ou, mais
precisamente, da falta dela. Nos revoltamos nas redes sociais, indignamo-nos
nos grupos de família, mas no fundo, bem no fundo, precisamos confessar: “nós
preferimos os políticos de PROMESSAS aos de PROPÓSITOS”
E
por que diabos fazemos isso? É um vício coletivo em gratificação instantânea.
Uma promessa é como um doce: gostoso na hora, mas com consequências a longo
prazo para a saúde pública (e de todas as outras áreas). O político de
propósito, por outro lado, é como aquele médico que te receita dieta e
exercícios: necessário, eficaz, mas um porre de seguir. Ele fala em
sustentabilidade, em educação de base, em infraestrutura que não se vê de um
dia para o outro. Ele fala em sacrifícios hoje para um futuro melhor. E quem
quer ouvir isso quando o vizinho está prometendo um unicórnio para cada
eleitor?
A
verdade é que a política, essa "arte do bem coletivo",
não funciona no piloto automático. Ela é um espelho do que somos, das
nossas prioridades mais íntimas. Se continuamos a aplaudir o circo das
promessas mirabolantes, se nos deixamos seduzir pela facilidade do discurso que
não cobra nada em troca, estamos, na prática, escolhendo a estagnação em vez do
avanço. Estamos trocando o desenvolvimento real por um piscar de olhos e uma
falsa sensação de esperança.
É
fácil apontar o dedo para "eles", os políticos. Mas e "nós"?
Qual é o nosso propósito enquanto eleitores, enquanto cidadãos? Será que
estamos dispostos a sair da zona de conforto de esperar milagres e começar a
exigir planos? A valorizar a visão de longo prazo em detrimento do espetáculo
eleitoreiro?
Se
a política é a arte de gerir o que é comum a todos, então a qualidade dessa
arte dependerá da sensibilidade e da consciência dos seus apreciadores – nós.
Enquanto continuarmos a dar palco para quem promete rios de leite e mel sem
sequer ter uma vaca ou uma abelha, continuaremos a viver num eterno "quase
lá". É hora de amadurecer. É hora de curar o vício das promessas e
abraçar a responsabilidade dos propósitos. O bem coletivo agradece. E o
futuro, mais ainda.
[1] MESTRE EM EDUCAÇÃO: psicologia
da educação – PUC/SP; Especialista em Gestão – USP; MBA em Gestão
Empreendedora – UFF; Neuropsicopedagogo, psicopedagogo e pedagogo.
Diretor de Escola Estadual; Prof. Universitário; Escritor, Coach e
Palestrante. Insta: @cezar.sena /
Youtube: PODSENA
