terça-feira, 6 de novembro de 2012

CONSELHO DE CLASSE/SÉRIE PARTICIPATIVO: CONCEITO E CONTEXTO

Clério Cezar Batista Sena

Diretor da EE Tenente Ernesto Caetano de Souza, membro do GR (Grupo Referência – DE Carapicuíba), Professor do CENSUPEG, Mestre em educação, PUC/SP, Pós-graduando em Gestão da Escola, REDEFOR/USP, Psicopedagogo Institucional e Clínico, Especialista em Educação Infantil e Pedagogo. E-mail e facebook: cezar.sena@hotmail.com

RESUMO
Este artigo apresenta o conceito de gestão participativa e democracia no contexto escolar. O objetivo foi discutir a dinâmica de um conselho de classe participativo, seu conceito e contexto. Discute a avaliação como desencadeadora dos conselhos de classe participativos. Apresenta a experiência do conselho de Classe da EE Tenente Ernesto Caetano de Souza, como fragmento de participação. Os resultados apontam que o conceito de participação ainda não é compreendido pelos participantes da comunidade escolar. Portanto, a participação acontecerá na medida em que os envolvidos apropriem dos procedimentos e conceitos. Neste sentido o gestor tem um papel determinante, o de indutor de mudanças.

Palavras-chave: Conselho de Classe, gestão participativa e avaliação


1.INTRODUÇÃO


O artigo é organizado em três capítulos. No primeiro capítulo conceitua gestão participativa, como um processo de negociação entre pessoas com interesses, ideias e pontos de vistas diferentes, implicando mobilização da comunidade escolar em prol de objetivos comuns, que é a qualidade da educação. Apresenta ainda o conceito de democracia, que é uma forma de governo com mecanismos de participação direta ou indireta, onde povo elege os seus representantes.
No capítulo dois, apresento o papel dos conselhos de classe/série participativo, como espaço de tomada de decisão a respeito da aprendizagem dos alunos, elaboração de estratégias comuns para intervenção em sala de aula. Discute ainda os procedimentos de avaliação, aponta a necessidade de elaboração de instrumentos comuns, acordados no coletivo.

No capítulo três, apresento a experiência de Conselho de Classe/Série da EE Tenente Ernesto Caetano de Souza, como sendo um fragmento de participação. A escola atende todos os segmentos da educação (Ciclo I, EF II, EM regular e EM na modalidade EJA). Conta com 960 alunos, funcionando nos três períodos e nos finais de semana com o Programa Escola da Família. Temos 55 professores, destes, 40% efetivos e os outros 60% contratados. A escola procura otimizar os espaços para a aprendizagem, pois acreditamos que todo o espaço escolar é educador. Valorizamos todos os espaços, espalhando murais com informações, espaços em branco para os alunos deixarem seus recados, para evitar as pichações. O espaço é limpo e acolhedor, que proporciona as relações sociais, não tem grades separando os espaços, administrativos e dos alunos e a comunidade. È uma escola aberta e democrática possibilitando a integração e relacionamentos.

Por fim, para que haja um conselho de classe/série participativo, os envolvidos no processo (professores, alunos, coordenadores pedagógicos, gestores e pais), devem trabalhar de maneira integrada, tendo em vista a aprendizagem dos alunos e sua preparação para a vida.


2.CONCEITUANDO GESTÃO PARTICIPATIVA


A gestão participativa implica mobilizar a comunidade escolar em prol de objetivos comuns, que é a qualidade da educação. Nesse sentido deve aplicar-se à organização no seu conjunto, desde a definição das políticas, até à sua planificação e execução, passando pelo ambiente físico e social, pela organização do trabalho e tarefas. A gestão participativa é um processo de negociação entre pessoas com interesses, ideias e pontos de vistas diferentes.

A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9394/96) asseguram a gestão democrática como princípio básico de organização do ensino público. Democratizar o ensino, segundo a lei, é acreditar que todas as crianças têm direito ao acesso e a permanência da escola. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) aponta que o princípio da gestão democrática deverá está articulado com:
•A ampliação do ensino escolar procurando inseri-lo no cotidiano dos educandos e das famílias;
•A educação como um princípio de cidadania;
•A instituição da ideia de que é um direito de todos e dever do estado oferecer gratuitamente o ensino básico, o qual permitirá ao educando efetivar sua condição cidadã;
•A cooperação entre as diferentes esferas de governo através de políticas de gestão com a participação popular, orçamento participativo e a descentralização administrativa e financeira;
•E a autonomia para as instituições para que estas possam estabelecer mecanismos de gestão e planejamento pedagógico participativo.

Democratizar o ensino é acreditar no profissional, valorizá-lo, considerar a liberdade de pensamento e levar em conta o pluralismo de ideias, abrindo espaço para a convivência e o diálogo. Garantir nas escolas uma gestão participativa é um dos grandes desafios da educação na atualidade.

Para melhor compreensão, recorro à etimologia da palavra democracia. O termo democracia tem origem grega e é formada a partir dos vocábulos demos (“povo”) e kratós (“poder”, “governo”). O conceito começou a ser usado no século V a.C., em Atenas. Atualmente, a democracia é considerada uma forma de organização de um grupo de pessoas, onde a titularidade do poder reside na totalidade dos seus membros. Como tal, a tomada de decisões responde à vontade geral. Sendo assim a democracia é uma forma de governo e de organização de um Estado. Através de mecanismos de participação direta ou indireta, o povo elege os seus representantes. (CONCEITO.DE, 2012)

Portando democracia, pressupõe a participação dos atores envolvidos no processo. É uma organização e funcionamento das instancias de uma forma que todos sintam participantes. Em seu sentido pleno, a participação caracteriza-se por uma força de atuação consciente pela qual os membros de uma unidade social reconhecem e assumem seu poder de exercer influencia na determinação da dinâmica dessa unidade, de sua cultura e seus resultados. Neste sentido, para haver participação é necessário diálogo, como nos aponta Freire (1975), para ele, o diálogo é ponto fundamental na gestão participativa, pois é através dele que tomamos consciência e agimos conscientemente.

A existência humana, porque humana, não pode ser muda, silenciosa, nem tão pouco pode nutrir-se de falsas palavras, mas de palavras verdadeiras, com que os homens transformam o mundo. Existir humanamente é pronunciar o mundo, é modificá-lo. O mundo pronunciado, por sua vez, se volta problematizado com sujeitos pronunciantes, a exigir dele, um novo pronunciar. (FREIRE, 1975:93).

Assim, a escola aproximar-se-á da função primordial que é promover a cidadania e estará oferecendo o ingrediente fundamental para a sua verdadeira construção pela participação. Não há democracia sem a participação.

Uma escola emancipadora que propicie aos alunos, além das condições de domínio do saber sistematizado, o efetivo exercício democrático de participação nas decisões da vida escolar. E, através do desenvolvimento desse espírito cooperativo, os agentes educativos estarão contribuindo para que os educandos se convertam em elementos ativos de transformação da sociedade (CARDOSO,1995:149)





3.CONSELHOS DE CLASSE/SÉRIE PARTICIPATIVOS E A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS



De acordo com Almeida (2000), a respeito da implementação e participação nos conselhos de classe/série, ainda há desarticulação entre os membros do conselho e a comunidade escolar. Havendo uma visível disputa de poder entre seus participantes, muitas vezes por desconhecimento do seu papel no processo, gerando assim uma precária participação dos vários segmentos representados no conselho (professores, pais, alunos e equipe gestora) no processo de tomada de decisão a respeito da aprendizagem dos alunos. Todos esses problemas contribuem para o empobrecimento do processo de descentralização e para o distanciamento de um autêntico processo democrático-participativo.

O conselho de classe é um espaço de grande relevância, tendo em vista o encontro dos vários segmentos em torno da mesma mesa (alunos, professores, pais, equipe). Todavia, cabem alguns alertas. Em primeiro lugar, não acreditamos que um conselho, por melhor preparado que seja, possa dar frutos significativos se não for articulado ao trabalho com o coletivo dos alunos e, sobretudo, às reuniões pedagógicas semanais (aliás, o conselho seria mais uma dessas reuniões). Em segundo lugar, embora este problema esteja já razoavelmente superado, ainda encontramos conselhos marcados pela “síndrome de chamamento”: quando termina o conselho de classe, o pobre do orientador tem uma lista enorme de alunos e pais para chamar... O conselho, pelo contrário, deve ser um momento para pensar a prática educativa como um todo e como processo. As visões dos vários segmentos são de maior relevância para a melhor compreensão da atividade pedagógica. (VASCONCELLOS, 2010: 83/85)

Os conselhos de classe/série, que deveriam ter o foco, na aprendizagem dos alunos, acabam se tornando espaço de reclamações, desabafos e justificativas para o fracasso escolar.

Quando assumi a gestão da escola, havia o “chamado” conselho participativo, com a presença de alguns pais e alunos, mas esse momento passava longe de ser participativo, era como um tribunal, com acusações de ambos os lados, havia momentos de tensões e falta de respeito recíproco. Não havia escuta, apenas acusações, era constrangedor, pois o mesmo não fazia parte de um processo, era apenas um evento. Por fim, resolvemos fazer os conselhos de classe/série apenas com os professores, enquanto nos preparamos para efetivamente aprender a fazer um conselho participativo.
Outro fator que me incomodava nos conselhos de classe/série eram as discrepâncias entre as notas dos professores para os mesmos alunos. Isso ficou mais evidente com a implantação do conselho de classe online (por meio do sistema babica ). A partir desse problema, resolvemos elaborar critérios de avaliação comuns para todos os alunos. Claro que não foi um processo fácil, pois revelou as nossas fragilidades, mas resolvemos enfrentar mais este desafio. Após muitas discussões e negociações, elaboramos nos ATPC (Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo), orientações e procedimentos, criando assim critérios comuns de avaliação, para minimizar os achismos e equívocos.

No processo percebemos que os professores tinham dificuldades em realizar os combinados, e elaborar instrumentos de avaliação coerentes com os mesmos, que consistia em: elaboração de provas bimestrais, contendo questões abertas e de múltiplas escolhas, de acordo com as matrizes curriculares, baseadas em habilidades e competências. Outra descoberta, era que muitos professores, não avaliavam os alunos por meio de instrumentos acordados, alguns por resistências, outros por não compreenderem, diziam que cada um tem seu jeito de avaliar, apesar de saber que toda avaliação é subjetiva, reforçamos a importância de realizar os combinados, ou seja, a utilização de instrumentos comuns, pois as provas é apenas um dos instrumentos de avaliação.

Uma das funções do conselho de classe/série é discutir os procedimentos de avaliação e fazer os encaminhamentos necessários para aprendizagem dos alunos. No entanto, a avaliação nas escolas, ainda é um bicho de sete cabeças. Há muitas contradições quanto a melhor maneira de avaliar, com isso prevalece o senso comum e as crenças do professor. Dois anos atrás resolvemos mexer nesse vespeiro em nossa escola (os critérios de avaliação da aprendizagem dos alunos). Para uma avaliação mais eficiente, e após muitas negociações, chegamos a alguns consensos a respeito dos critérios comuns de avaliações, ficando assim combinado:
•Participação: 30% da média. Foco nos procedimentos e atitudes, como portar sempre os cadernos dos alunos – apostila, assiduidade e respeito ao contrato didático.
•Prova individual bimestral: 30% da média.
•Redação bimestral: 10% da média.
•Atividades diversas: 30% da média. Atividades como lição de casa, seminários, pesquisas, exercícios avaliativos a critério de cada professor.

Como alguns professores, não elaboravam as avaliações pontuais de acordo com os níveis de proficiência dos alunos, disponibilizamos para cada professor um banco de questões online, por meio do sistema superproweb . Com essas estratégias conseguimos implantar a cultura da avaliação, evitando a fragmentação do fazer pedagógico. Os resultados começaram aparecer. Não há como avaliar sem instrumentos padronizados e transparentes para todos os envolvidos no processo. Só com critérios bem definidos e objetivos claros é possível evitar que prevaleça às posições pessoais, em detrimento da institucional. Uma mudança de paradigma da avaliação é preciso, deixando de ser um instrumento de punição, para um instrumento de acompanhamento e monitoramento da aprendizagem dos alunos.

Estamos resgatando o papel social da escola, que é ensinar, implantando uma cultura de aprendizagem. Mas ainda há muitas resistências e a tentação de aprovação automática, principalmente devido às avaliações externas. No entanto sabemos que o sucesso só acontece com o conhecimento, é estimulante perceber que os alunos a cada dia estão querendo aprender e os professores a ensinar.
Os procedimentos de avaliação, apresentado acima, também foram negociados com os alunos, por meio dos seus representantes de sala. Sistematicamente o coordenador pedagógico reúne com esses alunos, para ouvir suas demandas e sugestões. Também são informadas as decisões dos professores a respeito das avaliações e as expectativas da escola a respeito a suas aprendizagens. Os alunos também compartilham a respeito da dinâmica da sala de aula, apontando equívocos e sugestões. Pois de acordo com Santos Filho (1998), quando todos participam das tomadas de decisões, o trabalho é mais produtivo, há maior comprometimento e responsabilidade. Ainda auxilia no fortalecimento do espírito de solidariedade.


3.1 FRAGMENTOS DE GESTÃO PARTICIPATIVA: EXPERIÊNCIA DA EE TENENTE ERNESTO CAETANO DE SOUZA


Apesar de muito trabalho, não atingimos as metas do IDESP , nestes últimos dois anos, o que de fato nos desanimou a princípio, no entanto, ao invés de lamentar e procurar culpados, optamos por AGIR. Claro que não foi atitude automática, alguns da equipe continuam reclamando e apontando culpados. Outra opção foi valorizar e evidenciar as boas práticas em sala de aula dos professores, para quem sabe afetar os outros a também “fazer a diferença ” e mudar suas práticas pedagógicas e aceitar as sugestões e intervenções da equipe pedagógica e dos colegas, numa ação integrada e participativa. A outra ação foi monitorar a frequência diária dos alunos.
Não é uma tarefa fácil, auto-reflexão, pensar nas nossas ações de maneira crítica, é mais fácil apontar as incoerência dos outros. Sabemos que um dos nossos grandes problemas são os procedimentos didáticos em sala de aula e ausência dos alunos. Resolvemos começar por esses pontos. Juntamos todas as nossas forças para mobilizar a comunidade para as ações necessárias, apoiando e incentivando os profissionais a acreditar nas suas capacidades, reforçando que o sucesso de uma escola não é medido apenas pelo “bônus”, mas sim, pela sua capacidade de promover a aprendizagem dos alunos e mobilizar a comunidade para uma ação integrada e participativa.
Quando cada membro da equipe conhece e reconhece seu papel e atribuições numa organização à probabilidade de sucesso são maiores. No entanto numa escola, devido às inúmeras variáveis, como: ausência de funcionário, professores e até mesmo a formação destes, esses papeis não ficam bem definidos, ocasionando muitas vezes sobrecarga para alguns e consequentemente conflitos, pois todos acham que a obrigação é do outro e não dele.

Para resolver o problema das faltas, cada membro da equipe, se responsabilizou por uma ação. As professoras readaptadas, juntamente com as inspetoras, acompanham diariamente por meio de uma planilha a frequência dos alunos. Semanalmente tabulam as frequências e apresenta para a equipe gestora, esta passa para os agentes de organização e a professora mediadora fazerem as ligações telefônicas para as famílias. Quando não conseguem o contato com a família, a professora mediadora vai até a residência do aluno. Quando estes retornam para a escola, os professores, sob a orientação da equipe pedagógica, com suporte de uma planilha, passam as atividades de compensação de ausência, com a anuência dos pais/responsáveis, após o contato com mediadora e a equipe gestora, que deverá garantir a realização das atividades e a presença dos alunos na escola. Quando a escola esgota todas suas possibilidades, o caso é encaminhado para o Conselho Tutelar.

Outra ação para chamar a participação dos pais, foi a flexibilização das reuniões de pais. Estamos em processo de implantação da ESCOLA DE PAIS , ação que faz parte das metas do nosso PLANO DE GESTÃO, que consiste em orientar os pais quando os procedimentos que facilitam a aprendizagem dos seus filhos, além da integração família e escola. A escola de pais acontece bimestramente aos sábados, pois observamos que muitos pais não comparecem nas reuniões ordinárias de pais, devido o horário das reuniões (manhã as 10h e tarde as 16h), quando, sabemos que todos estão trabalhando. No entanto, como a escola funciona nos três períodos, é agendado o atendimento aos pais, de acordo com suas disponibilidades, com essas ações, melhoram muito a presença da família na escola. Em relação a Escola de Pais, já realizamos o 2º encontro da Escola de Pais, os resultados estão nos surpreendo, o ultimo houve a participação de mais de 50 famílias. O primeiro encontro foi para discussão sobre o papel da família na educação dos filhos e os procedimentos de avaliação da escola, o segundo encontro, contou com a presença de uma Conselheira Tutelar, que abordou a questão da frequência dos alunos na escola, dentre outros assuntos. No final do encontro houve um almoço (feijoada) para os presentes. Acreditamos que o sucesso de uma escola, só acontecerá com o envolvimento de TODOS os seus participantes.
É de suma importância, que os pais valorizem a escola e a tarefa dos seus profissionais, enquanto agentes educativos responsáveis por seus filhos, acreditando em suas qualidades humanas e técnicas, em vez de evidenciarem seus aspectos negativos; ser verdadeiramente parceiros na educação. Os pais são cada vez mais confrontados com a necessidade de dialogar com a escola dos seus filhos. (CARNEIRO, 2001)

Todos esses processos, descritos anteriormente é para que no dia do Conselho de Classe/Série o foco seja a elaboração de estratégias e encaminhamentos para os alunos, que ainda não atingiram os objetivos esperados. O Conselho de Classe/Série é online, onde é apresentado primeiramente o perfil da classe, elaborado anteriormente, com participação dos professores e alunos. Em seguida, apresentam-se os gráficos de desempenhos da classe em todas as disciplinas e por fim a ficha individual dos alunos, com foto, onde os professores já apontaram os encaminhamentos e as notas, por meio de senha e login, caso tenha divergência, é discutido, e caso necessário, é feita as alterações. Vale lembrar que utilizamos o sistema tarjeta online como gerenciador do Conselho de Classe/Série.
Por fim, sabemos que ainda não estamos realizando, um Conselho de Classe/Série participativo, conforme os manuais descritivos, mas estamos construindo uma cultura escolar voltada para a aprendizagem. Por enquanto as participações acontecem fragmentadas, mas efetivas. A meta, é após a “maturidade” da equipe, se for o caso, juntar todos no mesmo espaço para discutir e analisar os resultados da aprendizagem dos alunos e do nosso trabalho, mesmo porque o aluno não é problema apenas do professor, mas da ESCOLA, portando de todos nós. Sabe-se que para a construção de uma cultura escolar participativa, o gestor tem um papel determinante nesse processo.
A ação do gestor, não é apenas uma ação política ou ideológica, nem unicamente uma necessidade técnica ou administrativa, mas uma questão pedagógica, exigindo do gestor uma nova postura de liderança, pois, num certo sentido, é no âmbito do espaço escolar que todos os outros níveis de estudos e intervenção devem ser empreendidos. Diante de uma realidade essencialmente dinâmica e de conflitos, a preocupação em se administrar passa a ser, sobretudo, com a integração num contexto altamente diferenciado e com o controle da ação coletiva. (SENA, 2012)


4.CONSIDERAÇÕES FINAIS


Fazer amarrações, tecer considerações não é uma tarefa fácil. Não se chegou a nenhuma grande descoberta com esta pesquisa, mas como a ideia inicial desde artigo era refletir sobre “conselho de classe/série participativo: conceito e contexto” espera que este tenha cumprido seu papel e possa servir de ponto de partida para outras discussões.
As “descobertas” foram óbvias: que efetivamente não realizamos em nossas escolas, conselho de classe/série participativo. Apenas algumas ações com nuances de participação. Aponta ainda a dificuldades das equipes em implantar em suas escolas os conselhos participativos, devido a não clareza dos conceitos de participação e democracia de todos os envolvidos.
Quando se pretende realizar um conselho de classe/série participativo, não se deve perder de vista todos os envolvidos no processo; os professores, alunos, coordenadores pedagógicos, gestores e pais, cada um desses sujeitos com suas demandas e necessidades. Uma equipe escolar mobilizada em prol de objetivos comuns é quase garantia de sucesso, e para isso o papel do gestor é fundamental.
Para que a construção de uma cultura escolar voltada para a aprendizagem dos alunos seja construída, e consequentemente um clima organizacional favorável ao sucesso, o gestor necessita ser uma presença competente, participativa e inspiradora em todos os momentos e espaços do trabalho escolar, adotando uma perspectiva de futuro e de conjunto, assumindo um papel de articulador.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ALMEIDA, J. R. História da Instrução Pública no Brasil (1500 – 1889). São Paulo, Ed. PUC, 1989.

BRASIL, Lei Federal nº 9.394 (Institui as Diretrizes e Bases da Educação Nacional), de 20 de Dezembro de 1996. Brasília. 1996.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

CARDOSO, Jarbas Jose, Gestão compartilhada da educação: a experiência catarinense. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília v.76, nº.182/183, jan/ago.1995:139-170.

CARNEIRO, Roberto. Educar Hoje: Enciclopédia dos pais. Lisboa: Lexicultural, 2001.

CONCEITO.DE. Disponível em: http://conceito.de/democracia. Acesso em 22 de out. 2012.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido, 2 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1975.

FREITAS, K. S. de. Uma Inter-relação: políticas públicas, gestão democrático-participativa na escola pública e formação da equipe escolar. Em Aberto, Brasília, v. 17, n. 72, p.35-46, fev./jun. 2000.

SANTOS FILHO, J. C. dos. Democracia Institucional na escola : discussão teórica. Revista de Administração Educacional, Recife, v.1, n.2, p.41-101, jan./jun. 1998.

SENA, Clério Cezar Batista. Clima organizacional escolar: o gestor como indutor de mudança. Trabalho de Conclusão de Curso (pós-graduação) – Universidade de São Paulo, Curso de Gestão da Escola para Diretores, REDEFOR. São Paulo, 2012. (não publicado)

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto político-pedagógico ao cotidiano da sala de aula, 13ª Ed. - São Paulo : Libertad Editora, 2010.

terça-feira, 17 de julho de 2012

ALLAN, Percy NIETZSCHE PARA ESTRESSADOS. Rio de Janeiro; Sextante, 2011

FRAGMENTOS

por CEZAR SENA

“O problema de muitas pessoas insatisfeitas com sua existência é que elas não pensam na vida que gostariam de viver.E a primeira condição para encontrar-se é saber onde se quer chegar”. Pag. 7

“Assim como o pescador de pérolas prende uma pedra na cintura e desce ao fundo do mar para buscá-las, cada um de nós deve se munir de desapego, mergulhar dentro de si mesmo e encontrar sua pérola. Para encontrar essa pérola não é preciso peregrinar à Índia nem se entregar a complexos exercícios espirituais. Basta olhar-mos tranquilamente para o nosso interior”. p.12

“A maior parte das guerras psicológicas é iniciada mais pelo que não se diz do que pelo que se diz. Quantos casais brigam por mal-entendidos que duram dias ou meses até serem esclarecidos? Nietzsche, que não tinha papas na língua, afirma que é melhor expressar nossos sentimentos – mesmo sem encontrar as palavras – do que ofender com o silêncio”. p.13

“O HOMEM QUE IMAGINA SER COMPLETAMENTE BOM É UM IDIOTA. Passamos mais tempo reparando erros do que construindo coisas de valor. As pessoas mais inflexíveis e perfeccionistas sofrem as consequências de seus atos imperfeitos. Se algo dá errado, costumam colocar a culpa nos outros e ficam descontroladas quando alguém mostra qualquer falha que possam ter cometido. Nietzsche nos dá o seguinte conselho: é inútil querermos ser bons o tempo todo e fazer tudo certo – o que importa é estarmos dispostos a fazer um pouco melhor hoje do que fizemos ontem”. p. 15

“AS PESSOAS QUE NOS FAZEM CONFIDÊNCIAS SE ACHAM AUTOMATICAMENE NO DIREITO DE OUVIR A NOSSA. É importante medir o que dizemos e, sobretudo, a quem dizemos. Por tudo isso, é importante sermos cuidadosos ao escutar – reservando o entusiasmo para as pessoas mais íntimas – e ainda mais cuidadosos ao falar”. p. 16

“PRECISAMOS AMAR A NÓS MESMOS PARA SERMOS CAPAZES DE NOS TOLERAR E NÃO LEVAR UMA VIDA ERRANTE. Cinco passos para aumentar a autoestima: Viva para si mesmo, não para o mundo; Fuja das comparações; Não busque a perfeição; Perdoe seus erros; Para de analisar.” p. 17

“...Todo julgamento esconde o orgulho de quem se considera dono da verdade. Também revela grande insegurança. Como a vida é um caminho para frente, é muito mais produtivo construir o que vai acontecer do que analisar o que já passou, como nos diz Nitetzsche. Além disso, as pessoas que agem estão livres de preocupações, que normalmente ocupam a cabeça das não se movem”. p. 18

“A amizade é um contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e virtuosas. Sensíveis porque um monge ou um solitário podem ser pessoas de bem e mesmo assim não conhecer a amizade. E virtuosas poque os valvados só têm cúmplices. Os festeiros, companheiros de farra, os ambiciosos, sócios; os políticos reúnem os partidários ao seu redor; os vagabundos têm contatos, e os príncipes, cortesãos – mas só as pessoas virtuosas têm amigos”. p. 19

“Quem não sabe julgar o que merece crédito e o que merece ser esquecido presta atenção ao que não têm importância e se esquece do essencial”. p. 20

O EGO é a droga mais pesada. O fracasso, por sua vez, sempre nos deixa ensinamentos que nos ajudam a melhorar. Vejamos algumas delas:

•Favorece a humildade e nos ajuda a manter os pés no chão.
•Estimula nossa imaginação e nos leva a explorar novas alternativas.
•Faz de nós pessoas mais reflexivas, evitando decisões precipitadas.
•É um convite para recomeçar, compreendendo melhor o mundo a nossa volta.
•Abre novas oportunidades que podem levar ao verdadeiro sucesso, que não conheceríamos se tudo tivesse dado certo de primeira. p. 21

Cinco maneiras de aumentar a autoconfiança:
1.Faça com que seus atos falem por você;
2.Reconheça seus pontos fortes.
3.Neutralize os elementos que podem boicotá-lo. Relacionamentos negativos minam nossa autoestima, livre-se deles.
4.Aproveite as oportunidades.
5.Pratique exercícios físicos. p. 23


“AS PESSOAS NOS CASTIGAM POR NOSSAS VIRTUDES, SÓ PERDOAM SINCERAMENTE NOSSOS ERROS. O contrário do AMOR não é ódio, mas a indiferença. Quem parece nos detestar nutre, no fundo uma admiração oculta por nós. A inveja dos homens mostra quão infelizes eles se sentem e a atenção constante que dão ao que fazem os demais mostra como sua vida é tediosa. O mais sensato é evitar o invejoso em nossos planos, pois sua tendência inconsciente será tentar nos boicotar. Convém ocultar nossos êxitos sempre que possível.” p. 24

“A mente é como um copo: antes de enchê-la, devemos esvaziá-la. Do vazio e do não ser surge a criatividade”. p. 28

“Em alguns momentos você terá medo, mas a consciência de sua própria força será compensadora. Como dizia Nietzsche: Ser independente é para poucos. É privilégio dos fortes”. p. 29

“Nossos JULGAMENTOS dizem mais sobre nós mesmos do que sobre aqueles que julgamos. Cada um si enxerga o que quer. Ao partilharmos um ponto de vista sobre qualquer assunto, revelamos nossas motivações e nossos desejos mais íntimos”. p. 31

“Não há razão para buscar o sofrimento, mas, se ele surgir em sua vida, não tenha medo: encare-o de frente e com a cabeça erguida.” Do nascimento à morte a vida está repleta de dor, mas o sentido que damos a essa dor só depende de nós. p:32

“O futuro influi no presente da mesma maneira que o passado. Viver do passado às vezes pode se transformar em uma doença, que apresenta dois sintomas mais evidentes: Melancolia recorrente e Rancor. Manter abertas as feridas do passado impede que elas cicatrizem e não permite desfrutar o que acontece aqui e agora”. p:34

Dicas úteis de sabedoria que devemos evitar:
•Discutir quando os nervos estão à flor da pele.
•Tentar modificar a opinião de uma pessoa que esteja absolutamente resoluta.
•Enviar um e-mail cinco minutos após ter se desentendido com alguém (é preciso deixar que se passem pelo menos 24 horas).
•Querer ganhar a amizade de quem já demonstrou que não gosta de você. P.35

“A maneira mais eficaz de corromper o jovem é ensiná-lo a admirar aqueles que pensam como ele e não os que pensam de forma diferente. Pensar é um trabalho árduo. Não é à toa que não é ensinado nos colégios e a filosofia tem peso quase insignificante no currículo escolar”. P.36

Conviver com pessoas viciadas em reclamar é um tormento, pois o desgaste mental e a negatividade desse tipo de personalidade acabam contagiando tudo ao redor. Os que se queixam da forma como a bola quica são os que não sabem arremessá-la. P.37

“Quem deseja aprender a voar deve primeiro aprender a caminhar, a correr, a escalar e a dançar. Não se aprende a voar voando.” P. 39

Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se transformar em um deles. “Mesmo que não esteja em suas mãos mudar uma situação dolorosa, é sempre possível escolher a forma de lidar com o sofrimento.” P. 40

Se ficar olhando muito tempo para o abismo, o abismo olhará para você. “A lei da atração está em todos os lugares. Ela atrai tudo para você: as pessoas, o trabalho, as circunstâncias, a saúde, a riqueza, as dívidas, a felicidade, o carro que dirige, o lugar onde mora. Atrai tudo como se você fosse um imã. Você atrai o que pensa. Sua vida é uma manifestação dos pensamentos que passam pela sua mente.” P. 45

Amigos deveriam ser mestres em adivinhar e calar: não se deve querer saber tudo. “Não caminhe na minha frente, porque talvez eu não possa segui-lo. Não caminhe atrás de mim, porque talvez eu não possa guiá-lo. Caminhe ao meu lado e seremos amigos.” P. 54

A potência intelectual de um homem se mede pelo humor que ele é capaz de manifestar. Vejamos alguns benefícios terapêuticos do humor constatados pela medicina:

•Atua como analgésico.
•Melhora a circulação e regula a pressão arterial.
•È um exercício aeróbico: cinco minutos de risadas equivalem a 45 minutos de exercícios leves.
•Massageia os órgãos internos.
•Reforça as defesas e previne doenças.
•Alivia o estresse e a fadiga.
•Liberta endorfina, o hormônio da felicidade.
•Promove o alívio muscular e o bem-estar.
•Ajuda a relativizar os problemas. P. 57


“...Aprende-se que o mundo adora talento, mas recompensa o caráter. Entende-se que quase todas as pessoas não estão ao nosso favor nem contra nós, mas absortas em si mesmas. Aprende-se, finalmente, que, por maior que seja nosso empenho em agradar aos demais, sempre haverá pessoas que não nos amam. Trata-se de uma dura lição no inicio, mas que no fim se mostra muito tranquilizadora”. P. 59


O melhor meio de ajudar pessoas muito confusas e deixá-las mais tranquilas é elogiá-las de forma veemente. Do método Dale Cornegie para fazer amigos e influenciar pessoas:

•É inútil criticar alguém, já que ele inevitavelmente se colocará na defensiva e tentará se justificar. Além disso ficará ressentido com você.
•Conseguimos resultados muito melhores nas relações sociais ao elogiar de forma inteligente em vez de censurar.
•É muito mais proveitoso e seguro corrigir a si mesmo do que tentar fazer com que os outros se corrijam.
•As pessoas mais populares são as que deixam seus interlocutores falares e se interessam sinceramente por seus problemas.
•Em vez de censurar os outros, é mais útil entendê-los e procurar saber por que se comportam de certas maneiras.
•Você fará mais amigos em dois Meses interessando-se pelas pessoas do que em dois anos tentando fazer com elas se interessam por você.
•Qualquer idiota é capaz de criticar, condenar e ser queixar, e a maioria faz isso muito bem. P. 63

O homem amadurece quando reencontra a seriedade que demonstra em suas brincadeiras de criança. “Em qualquer homem autêntico existe uma criança querendo brincar”. P. 64

Na maior parte das vezes que não aceitamos uma opinião, isso acontece por causa do tom que ela foi manifestada. Quatro dicas da arte de conversar: Escute de forma ativa. Dê sua opinião somente quando a pedirem. Evite distrações. Formule perguntas. P. 66

“Fromm afirma que uma pessoa só pode amar outra se conhecer a si mesma e respeitar a própria individualidade. Só então estará preparada para entender e respeitar seu parceiro”. P. 68

Pobre do pensador que não é o jardineiro, mas apenas o canteiro de suas plantas. Quando não há preconceitos, a luz da vida faz florescer o melhor de nós em nosso jardim interior. p. 70

Um poeta escreveu em sua porta: “Quem entrar aqui me honrará. Quem não entrar me proporcionará um prazer”. Quem não permite que sua felicidade dependa da aprovação alheia está sempre no melhor dos mundos. P. 71

O destino de um ser humano depende do tamanho de seus sonhos, o problema é que muitas pessoas os estacionam na infância ou na adolescência e adotam posturas derrotistas do tipo “A vida é assim mesmo” ou “O que posso fazer? Preciso ganhar meu sustento”. Quando abrimos mãos dos sonhos, abandonamos também algo muito importante: a capacidade de transformar em realidade nossos desejos mais íntimos. P. 74

Tão importante quando dar é saber receber. Somente as pessoas capazes de fazer o amor fluir em ambas as direções podem se considerar prósperas emocionalmente. P, 75

Se você for magoado por um amigo, diga a ele; “Eu o perdoo pelo que me fez, mas como poderia perdoá-lo pelo que fez a si mesmo?” Amizades perigosas – como identificar um vampiro que se alimenta de energia alheia:

•São pessoas solicitas e, no inicio, extremamente amáveis. Diante de qualquer dificuldade, são as primeiras a entrar em contato, interessadas em nossos problemas, mesmo que mal nos escutem,
•Eis o sinal mais característico de que estivemos com um vampiro que sugou nossa energia: após o encontro, nos sentimos muito cansados e desanimados. P, 88

...Quando a fumaça se desfez e a caixa parecia vazia, Pandora olhou para dentro dela e viu um lindo passarinho de asas cintilantes. Era a Esperança. Ela se apressou em fechar a caixa, impedindo que a Esperança escapasse também. Dessa forma, a Esperança se conserva guardada no fundo de nosso coração. P, 89

O que não nos mata nos fortalece. “A resiliência é a arte de navegar pelas correntezas. Um trauma transformou o ferido e o conduziu numa direção na qual preferia não ter ido. Pelo fato de ter caído em uma corrente que o atravessou e o levou até uma cascata de problemas, o resiliente recorrerá aos recursos internos impregnados em sua memória e deverá lutar para não se deixar arrastar pelo curso natural dos traumas”. P. 90

Ser idealista é uma boa forma de passar pelo mundo sem nos embrutecer nem renunciar a nossos sonhos antes do tempo. No entanto, a realização desses sonhos exige uma boa dose de sentido prático. Os sonhos são projetados por nosso arquiteto interior, mas, para transformá-los em realidade, é preciso despertar o pedreiro que também vive em cada um de nós. p. 95

As pessoas se esquecem de seus erros depois de confessá-los ao outro, mas o outro normalmente não se esquece. P. 97
A melhor maneira de começar o dia é se comprometer a fazer feliz ao menos uma pessoa antes do sol se pôr. “A felicidade consiste em fazer as outras pessoas felizes.” P. 99

A vida não é muito curta para que fiquemos entediados? Eis uma boa receita contra o tédio:

1.Abandone todos os compromissos desnecessários que não trazem mais que tédio e mau humor a sua vida.
2.Afaste-se pouco a pouco de todas as pessoas que se queixam o tempo todo e nunca lhe dizem algo realmente interessante.
3.Pergunte a i mesmo se o seu trabalho é estimulante o bastante ou se você poderia exercer outras atividades mais motivadoras.
4.Recupere velhos projetos que sempre quis levar adiante, como aprender um idioma, tocar um instrumento, fazer um curso de teatro etc.
5.Altere as rotinas que regeram sua vida nos últimos anos, mesmo que seja só para experimentar.
6.Frequente outros ambientes, onde poderá conhecer pessoas diferentes.
7.Aprenda pelo menos uma coisa nova a cada dia.
8.Cometa uma pequena loucura de vez em quando. P. 101

Quem fica remoendo alguma coisa se comporta de maneira tão tola quanto o cachorro que morde a pedra. O mais importante é saber que o passado e o futuro se encontram no presente e que se nos ocuparmos do presente, seremos capazes de transformar o passado e o futuro. P. 104

O amor não é consolo – é luz. Eis alguns segredos de um sábio desconhecido para que seus sonhos se realizem:

•Evite todas as fontes de energia negativa, sejam elas pessoas, lugares ou hábitos.
•A família e os amigos são tesouros ocultos – usufrua essas riquezas;
•Ignore aqueles que tentarem desanimá-lo.
•Leia, estude e aprenda tudo o que for importante na vida.
•Deseje, mais que tudo no mundo, o que você quer que aconteça.
•Busque excelência em tudo o que faz.

Vargem Grande Paulista, SP. 16 de julho de 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012


Pais brilhantes, professores fascinantes – Augusto Cury. – Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

Educar é acreditar na vida, mesmo que derramemos lágrimas. Educar é ter esperança no futuro, mesmo que os jovens nos decepcionem no presente. Educar é semear com sabedoria e colher com paciência. Educar é ser um garimpeiro que procura tesouros do coração. p.9

As crianças e jovens aprendem a lidar com fatos lógicos, mas não sabem lidar com fracassos e falhas. Aprendem  a resolver problemas matemáticos, mas não sabem resolver seus conflitos existências. P.12

O sofrimento nos constrói ou nos destrói. Devemos usar o sofrimento para construir a sabedoria. Mas quem importa com a sabedoria na época da informática. P.13

Bons professores estão estressados e gerando alunos despreparados para vida. Bons pais estão confusos e gerando filhos com conflitos.
Precisamos ser educadores muito acima da média se quisermos formar seres humanos inteligentes e felizes, capazes de sobreviver nessa sociedade estressante. P.16

Um excelente educador não é um ser humano perfeito, mas alguém que tem serenidade para se esvaziar e sensibilidade para aprender. P. 17

Os pais que vivem em função de dar presentes para seus filhos são lembrados por um momento. Os pais que se preocupam em dar a su história aos filhos se tornem inesquecíveis. P.21

A individualidade deve existir, pois ela é o alicerce da identidade da personalidade. Não há homogeneidade no processo de aprender e no desenvolvimento das crianças (Vigotsky, 1987). Não há duas pessoas iguais no universo. Mas o individualismo é prejudicial. Uma pessoal individualista quer que o mundo gire em torno de sua órbita, sua satisfação está em primeiro lugar, mesmo se isso implicar o sofrimento dos outros. P. 25

Surpreender os filhos é dizer coisas que eles não esperam, reagir de modo diferente diante dos erros, superar as suas expectativas. P. 35

Infelizes dos pais que não conseguem aprender com seus filhos e corrigir suas rotas. Infelizes dos professores que não conseguem aprender com seus alunos e renovar suas ferramentas. A vida é uma grande escola que pouco ensina para quem não sabe ler. P. 53

Eduque a emoção com inteligência. E o que é educar a emoção? É estimular o aluno a pensar antes de reagir, a não ter medo, de ser líder de si mesmo, autor da sua história, a saber filtrar os estímulos estressantes e a trabalhar não apenas com fatos lógicos e problemas concretos, mas também com as contradições da vida. P. 66

Os professores fascinantes objetivam que seus alunos sejam lideres de si mesmos. Proclamam de diversas formas em sala de aula aos seus alunos: “que vocês sejam grandes empreendedores. Se empreenderem, não tenham medo de chorar. Se chorarem, repensem as suas vidas, mas não desistam. Dêem sempre uma nova chance a si mesmos.” P. 80

Leve os jovens a ter flexibilidade no trabalho e na vida, pois só não muda de idéia quem não é capaz de produzi-la. Leve-os a extrair de cada lágrima uma lição de vida. P.81

Um vexame público paralisa a inteligência e gera o medo de expor idéias. Estimulem os jovens a refletir. Quem estimula a reflexão é um artesão da sabedoria. P. 87

Estimados educadores, temos de ter em mente que os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Mas não é possível ser forte sem perceber nossas limitações. P. 92

Para educar, use primeiro o silêncio e depois as idéias. P. 95

A rejeição de uma idéia negativa poderá nos fazer escravos dela. Rejeite uma pessoa, e ela dormirá com você, estragando seu sono. Perdoa-la fica emocionalmente mais barato. P. 106

A emoção determina a qualidade do registro. Quanto maior o volume emocional envolvido em uma experiência, mais o registro será privilegiado e mais chance terá de ser resgatado. P. 108

O passado é um grande alicerce para edificarmos novas experiências, e não para vivermos em função dele. Toda vez que vivemos em função do passado, obstruímos a inteligência e adoecemos, como é o caso das perdas e dos ataques de pânicos não superados. P. 114

A música ambiente tem três grandes metas. Primeiro, produzir a educação musical e emocional. Segundo, gerar o prazer de aprender durante as aulas de matemática, física, história. Platão sonhava com o deleite de aprender (Platão, 1985). Terceiro, aliviar o síndrome do pensamento acelerado (SPA), pois quieta o pensamento, melhora a concentração e assimilação de informações. A música ambiente deveria ser usada desde a mais tenra infância na sala de casa e na sala de aula. P. 122

A sala de aula não é um exército de pessoas caladas nem um teatro onde o professor é o único ator e os alunos, espectadores passivos. Todos são atores da educação. A educação dever ser participativa. Os educadores são escultores da emoção. Eduquem olhando nos olhos, eduquem com gestos: eles falam tanto quanto as palavras. P. 125

Os professores devem superar o vício de transmitir o conhecimento pronto, como se fossem verdades absolutas. P. 128

Quando uma pessoa pára de perguntar, ela pára de aprender, pára de crescer. Preciso estar alerta, me reciclar e me esvaziar continuamente, para continuar sendo um engenheiro de novas idéias. Um professor fascinante deve fazer pelo menos dez perguntas para os alunos durante o tempo de uma aula. P. 130    

Quando o mundo nos abandona, a solidão é tolerável, mas quando nós mesmos nos abandonamos, a solidão é quase insuportável. P. 131

Educar é contar histórias. Contar histórias é transformar a vida na brincadeira mais séria da sociedade. Precisamos contar mais histórias. Os pais precisam ensinar a seus filhos, criando histórias. Os professores precisam contar histórias para ensinar as matérias com o tempero da alegria e, às vezes, das lágrimas. P. 132

Professores e alunos dividem o espaço de uma sala, mas não se conhecem.
Os computadores podem informar os alunos, mas apenas os professores são capazes de formá-los. Somente eles podem estimular a criatividade, a superação de conflitos, o encanto pela existência, a educação para a paz, para o consumo, para o exercício dos direitos humanos. P.139

Um professor influencia mais a personalidade dos alunos pelo que é do que pelo que sabe. P.140

Não há jovens problemáticos, mas jovens que estão passando por problemas.
Não permita em hipótese alguma que os alunos chamem seus colegas de “baleia” ou e”elefante” por serem obesos. Discriminação é um câncer, uma mácula que sempre manchou nossa história. P. 145

Se os jovens não aprenderem a gerenciar seus pensamentos, serão um barco sem leme, marionetes dos seus problemas. A tarefa mais importante da educação é transformar o ser humano em líder de si mesmo, líder dos seus pensamentos e emoções. P. 148

O ser humano tem tendência de ser carrasco de si mesmo. Nossos piores inimigos estão dentro de nós. Só nós mesmos podemos nos impedir de sermos felizes e saudáveis. P. 149

Os professores são cozinheiros do conhecimento, mas preparam o alimento para uma platéia sem apetite. Seus alunos têm anorexia intelectual. P. 154

A escola dos meus sonhos une a seriedade de um executivo à alegria de um palhaço, força da lógica à singeleza do amor. Nela, os professores e os alunos escrevem uma belíssima história, são jardineiros que fazem da sala de aula um canteiro de sonhos. P. 155

A família dos meus sonhos é aquela em que os pais e filhos têm coragem de dizer um para o outro: “Eu te amo”, “eu exagerei”, “desculpem-me”, “vocês são importantes para mim”. Na família dos meus sonhos não há heróis nem gigantes, mas amigos. Amigos que sonham, amam e choram juntos. P. 155

Pais brilhantes, professores fascinantes – Augusto Cury. – Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

Fragmentos a partir da leitura de CEZAR SENA 


Educar é acreditar na vida, mesmo que derramemos lágrimas. Educar é ter esperança no futuro, mesmo que os jovens nos decepcionem no presente. Educar é semear com sabedoria e colher com paciência. Educar é ser um garimpeiro que procura tesouros do coração. p.9

As crianças e jovens aprendem a lidar com fatos lógicos, mas não sabem lidar com fracassos e falhas. Aprendem  a resolver problemas matemáticos, mas não sabem resolver seus conflitos existências. P.12

O sofrimento nos constrói ou nos destrói. Devemos usar o sofrimento para construir a sabedoria. Mas quem importa com a sabedoria na época da informática. P.13

Bons professores estão estressados e gerando alunos despreparados para vida. Bons pais estão confusos e gerando filhos com conflitos.
Precisamos ser educadores muito acima da média se quisermos formar seres humanos inteligentes e felizes, capazes de sobreviver nessa sociedade estressante. P.16

Um excelente educador não é um ser humano perfeito, mas alguém que tem serenidade para se esvaziar e sensibilidade para aprender. P. 17

Os pais que vivem em função de dar presentes para seus filhos são lembrados por um momento. Os pais que se preocupam em dar a su história aos filhos se tornem inesquecíveis. P.21

A individualidade deve existir, pois ela é o alicerce da identidade da personalidade. Não há homogeneidade no processo de aprender e no desenvolvimento das crianças (Vigotsky, 1987). Não há duas pessoas iguais no universo. Mas o individualismo é prejudicial. Uma pessoal individualista quer que o mundo gire em torno de sua órbita, sua satisfação está em primeiro lugar, mesmo se isso implicar o sofrimento dos outros. P. 25

Surpreender os filhos é dizer coisas que eles não esperam, reagir de modo diferente diante dos erros, superar as suas expectativas. P. 35

Infelizes dos pais que não conseguem aprender com seus filhos e corrigir suas rotas. Infelizes dos professores que não conseguem aprender com seus alunos e renovar suas ferramentas. A vida é uma grande escola que pouco ensina para quem não sabe ler. P. 53

Eduque a emoção com inteligência. E o que é educar a emoção? É estimular o aluno a pensar antes de reagir, a não ter medo, de ser líder de si mesmo, autor da sua história, a saber filtrar os estímulos estressantes e a trabalhar não apenas com fatos lógicos e problemas concretos, mas também com as contradições da vida. P. 66

Os professores fascinantes objetivam que seus alunos sejam lideres de si mesmos. Proclamam de diversas formas em sala de aula aos seus alunos: “que vocês sejam grandes empreendedores. Se empreenderem, não tenham medo de chorar. Se chorarem, repensem as suas vidas, mas não desistam. Dêem sempre uma nova chance a si mesmos.” P. 80

Leve os jovens a ter flexibilidade no trabalho e na vida, pois só não muda de idéia quem não é capaz de produzi-la. Leve-os a extrair de cada lágrima uma lição de vida. P.81

Um vexame público paralisa a inteligência e gera o medo de expor idéias. Estimulem os jovens a refletir. Quem estimula a reflexão é um artesão da sabedoria. P. 87

Estimados educadores, temos de ter em mente que os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Mas não é possível ser forte sem perceber nossas limitações. P. 92

Para educar, use primeiro o silêncio e depois as idéias. P. 95

A rejeição de uma idéia negativa poderá nos fazer escravos dela. Rejeite uma pessoa, e ela dormirá com você, estragando seu sono. Perdoa-la fica emocionalmente mais barato. P. 106

A emoção determina a qualidade do registro. Quanto maior o volume emocional envolvido em uma experiência, mais o registro será privilegiado e mais chance terá de ser resgatado. P. 108

O passado é um grande alicerce para edificarmos novas experiências, e não para vivermos em função dele. Toda vez que vivemos em função do passado, obstruímos a inteligência e adoecemos, como é o caso das perdas e dos ataques de pânicos não superados. P. 114

A música ambiente tem três grandes metas. Primeiro, produzir a educação musical e emocional. Segundo, gerar o prazer de aprender durante as aulas de matemática, física, história. Platão sonhava com o deleite de aprender (Platão, 1985). Terceiro, aliviar o síndrome do pensamento acelerado (SPA), pois quieta o pensamento, melhora a concentração e assimilação de informações. A música ambiente deveria ser usada desde a mais tenra infância na sala de casa e na sala de aula. P. 122

A sala de aula não é um exército de pessoas caladas nem um teatro onde o professor é o único ator e os alunos, espectadores passivos. Todos são atores da educação. A educação dever ser participativa. Os educadores são escultores da emoção. Eduquem olhando nos olhos, eduquem com gestos: eles falam tanto quanto as palavras. P. 125

Os professores devem superar o vício de transmitir o conhecimento pronto, como se fossem verdades absolutas. P. 128

Quando uma pessoa pára de perguntar, ela pára de aprender, pára de crescer. Preciso estar alerta, me reciclar e me esvaziar continuamente, para continuar sendo um engenheiro de novas idéias. Um professor fascinante deve fazer pelo menos dez perguntas para os alunos durante o tempo de uma aula. P. 130    

Quando o mundo nos abandona, a solidão é tolerável, mas quando nós mesmos nos abandonamos, a solidão é quase insuportável. P. 131

Educar é contar histórias. Contar histórias é transformar a vida na brincadeira mais séria da sociedade. Precisamos contar mais histórias. Os pais precisam ensinar a seus filhos, criando histórias. Os professores precisam contar histórias para ensinar as matérias com o tempero da alegria e, às vezes, das lágrimas. P. 132

Professores e alunos dividem o espaço de uma sala, mas não se conhecem.
Os computadores podem informar os alunos, mas apenas os professores são capazes de formá-los. Somente eles podem estimular a criatividade, a superação de conflitos, o encanto pela existência, a educação para a paz, para o consumo, para o exercício dos direitos humanos. P.139

Um professor influencia mais a personalidade dos alunos pelo que é do que pelo que sabe. P.140

Não há jovens problemáticos, mas jovens que estão passando por problemas.
Não permita em hipótese alguma que os alunos chamem seus colegas de “baleia” ou e”elefante” por serem obesos. Discriminação é um câncer, uma mácula que sempre manchou nossa história. P. 145

Se os jovens não aprenderem a gerenciar seus pensamentos, serão um barco sem leme, marionetes dos seus problemas. A tarefa mais importante da educação é transformar o ser humano em líder de si mesmo, líder dos seus pensamentos e emoções. P. 148

O ser humano tem tendência de ser carrasco de si mesmo. Nossos piores inimigos estão dentro de nós. Só nós mesmos podemos nos impedir de sermos felizes e saudáveis. P. 149

Os professores são cozinheiros do conhecimento, mas preparam o alimento para uma platéia sem apetite. Seus alunos têm anorexia intelectual. P. 154

A escola dos meus sonhos une a seriedade de um executivo à alegria de um palhaço, força da lógica à singeleza do amor. Nela, os professores e os alunos escrevem uma belíssima história, são jardineiros que fazem da sala de aula um canteiro de sonhos. P. 155

A família dos meus sonhos é aquela em que os pais e filhos têm coragem de dizer um para o outro: “Eu te amo”, “eu exagerei”, “desculpem-me”, “vocês são importantes para mim”. Na família dos meus sonhos não há heróis nem gigantes, mas amigos. Amigos que sonham, amam e choram juntos. P. 155
MADRE TEREZA, CEO. Principios inesperados para uma liderança prática. Ruma Rose e Lou Faust: tradução Mirian Ibanez. São Paulo: Lua de papel, 2012

Fragmentos a partir da leitura de CEZAR SENA

São 08 os princípios de seu estilo de liderança:
1. Sonhe Simples, fale com força
2. Para chegar aos anjos, lide com o diabo
3. Espere! E então eleja seu momento
4. Acolha o poder da dúvida
5. Descubra a alegria da disciplina
6. Comunique-se em uma língua que as pessoas entendam
7. Preste atenção no faxineiro
8. Use o poder do silêncio;


“Quando mais você sorrir e amar seus vizinhos, mais amor você espalhará.” p.15

“Eu me sentia inclinada a servir e ajudar aos outros, isso fazia com que me sentisse valorizada”. p.15

“Todos nós temos um propósito na vida. Algumas pessoas nascem para fazer diferença para uma pessoa e outras nascem para fazer a diferença em suas famílias ou países”. p. 17

“Precisamos nos ouvir, prestar atenção em nossas ações e no que valorizamos e reservar um tempo para entender o que realmente somos ou o que estamos tentando ser. Quando entendemos nossos valores fundamentais, a chave é transformá-los em uma visão simples”. p. 31

“O mundo de uma pessoa pode estar concentrada na família, na comunidade, no trabalho ou numa causa. Quando essa pessoa entende qual é seu papel, pode começar a criar o roteiro para alinhar todos os aspectos de seus esforços”. p. 31

“Simplesmente Madre Tereza liderou pelo exemplo, vivendo uma vida coerente com seu ideal. Ao vivenciar o que acreditava, ela inspirou outros a segui-la”. p. 33

“O líder precisa colocar um processo em curso e, depois permanecer envolvido, oferecendo orientações e mantendo o processo em andamento para atingir os objetivos estabelecidos”. p. 34

“Uma visão compartilhada com o alinhamento organizacional trará resultados mensuráveis”. p. 37


Resumo do 1º princípio SONHE SIMPLES, FALE COM FORÇA

• Ouse sonhar
• Apaixone-se pelo que procura ser e alcançar
• Articule uma visão clara e simples para você e sua organização
• Demonstre tanto a visão como os valores em tudo o que você faz (p. 37)

“Madre Teresa nunca se propôs a mudar o mundo, mas apenas a ajudar as pessoas que estavam diante dela”. p. 43

“Ela aceitou a caridade dos demônios para chegar aos anjos”. p. 45
“Madre Teresa acreditava que a caridade vinha do coração. Portanto, ela não questionava as origens de suas doações. Comentava-se que com frequência, ela costumava dizer: ‘Se você julga as pessoas, não tem tempo de amá-las”. p. 45

“Lideres precisam saber onde colocar seus limites. Às vezes você deve se comprometer. Tem de ter coragem para decidir o que compromisso são aceitáveis e os que não são”. p. 47


Resumo do 2º princípio: PARA CHEGAR AOS ANJOS, LIDE COM O DIABO

• Lembre-se de quem são seus anjos
• Conheça seu limite ético
• Avalie cada escolha em função desse limite
• Não ultrapasse seu limite (p. 49)

“Quando o cérebro assume a direção, o pensamento muda de “Eu posso”? para “Eu posso.”. Esse é o momento de definição, mas não significa, necessariamente, que você deve começar de imediato”. (p. 53)

“Liderança exige compreensão de risco e da recompensa, quando se toma decisões. Essas são resoluções fundamentais. O equilíbrio entre ação e reflexão é fundamental para manter o foco durante os altos e baixos emocionais da liderança.” (p. 56)

“...as pessoas não precisam de piedade, mas de amor.” (p. 57)


Resumo do 3º princípio: ESPERE! E ENTÃO ELEJA O MOMENTO

• Paciência é necessária
• Persistência é obrigatória
• Analise sua prontidão: emocional, financeira e operacional
• Vá em frente. (p. 62)

“Duvidar não é, necessariamente, uma crise de fé. Obstáculos fazem parte da vida diária. Não processar a dúvida pode conduzir ao medo paralisante, mas usar a dúvida para questionar-se pode reforçar suas crenças e libertá-lo do medo”. (p. 66)

“A dúvida é o fato da vida para qualquer pessoa honesta. A única coisa que sabemos, com certeza, é que não sabemos muito”. (p. 69)

“O mundo está sempre mudando, e se nós também não duvidarmos de nossos planos, eventualmente teremos de pagar o preço da arrogância. Lideres de sucesso encontram coragem ao encarar o medo, então podem conduzir suas organizações a diante. Ao abraçar a dúvida, o líder tem de tomar a decisão final como se não houvesse duvida alguma”. (p. 70)


Resumo do 4º princípio: ACOLHA O PODER DA DÚVIDA


• Abraçar a duvida pode ser muito poderoso
• Use a dúvida para calcular quando dever analisar sua organização e você mesmo
• Exponha sua dúvida sem manifestar medo
• Incorpore o poder da dúvida em ação

“Tanto na liderança como na vida, disciplina tem a ver com o fazer. Tem a ver com sair da cama às 4h da manhã, com o desligar a Televisão e fazer a lição de casa, com o não comer aquele pedaço de bolo de chocolate no primeiro dia do seu regime [...] Disciplina tem a ver com benefício a longo prazo. Não há atalho ou pílula milagrosa. Ter sucesso, nos negócios e na vida, requer esforço e força de vontade.” p. 79

“Madre Tereza era uma empreendedora. Seu mantra era: se algo tem de ser lavado, lave. Se algo precisa ser consertado, conserte. Se uma carta tem de ser escrita, escreva. Ela estava à frente de tudo. Se alguma coisa precisava ser feita imediatamente, ela simplesmente fazia.” p. 79

“Disciplina é uma prática. Como qualquer prática, para ser efetiva, tem de ser repetida. Desenvolve caráter, habilidade e resistência.” p. 80

“Se você não estiver divertindo, então é porque não leva seu trabalho suficientemente a sério. A alegria é o combustível que nos mantém correndo, apesar da dor do esforço e da solidão da dúvida,” p. 83


Resumo do 5º princípio: DESCUBRA A ALEGRIA DA DISCIPLINA

• Se pode ser feito agora, faça imediatamente
• Pratique a disciplina
• Leve seu trabalho a sério, mas nunca você mesmo
• Descubra a alegria em tudo que faz

“Sua maneira mais eloquente de se comunicar era através do sorriso. “A paz começa com um sorriso”, ela dizia com frequência. Ela também era capaz de tocar você profundamente com suas palavras, não importa quão simples elas fossem ou o tempo, muito curto.” p. 87

“Ouça cuidadosamente seu público e alinhe sua comunicação ao estilo dele. Mantenha sua mensagem, mas esteja pronto para alterar a forma de sua conexão. Seu objetivo é comunicar com muito sucesso sua mensagem, não se comunicar de uma maneira particular.” p. 93


Resumo do 6º princípio: COMUNIQUE-SE EM UMA LÍNGUIA QUE AS PESSOAS ENTENDAM

• Seja autêntico
• Conheça seu público
• Ouça e mostre empatia
• Adapte seu estilo de comunicação à outra pessoa

“Seja compreensivo e generoso. Não deixe ninguém se aproximar de você sem que se sinta melhor e mais feliz quando for embora. Seja a expressão viva da bondade de Deus: com bondade em seu rosto, bondade em seus olhos, bondade em seu sorriso, bondade em sua calorosa saudação.” MADRE TERESA

“Ela tratava todos com o mesmo respeito – uma criança das favelas, um paciente aidético em Nova York ou um executivo de uma corporação. Ela acreditava que todos nós temos capacidade de nos conectar aos outros da maneira mais pura.” p. 105


Resumo do 7º princípio: PRESTE ATENÇÃO NO FAXINEIRO

• Trate cada pessoa com respeito
• Cada um de nós deseja ser valorizado
• O título jamais interessa, mas a pessoa sempre

“Quanto mais formos capazes de nos recolher aos nossos corações através da oração silenciosa, mas estaremos aptos a oferecer em nosso trabalho. Precisamos de silêncio para ter habilidade de tocar as pessoas. O essencial não é o que Deus diz a nós e por nosso intermédio. Todas as nossas palavras serão inúteis se não vierem do interior.” p. 112

“[...] Não podemos encontrar Deus no barulho ou na agitação. No silêncio, Ele nos ouve, no silêncio, Ele fala às nossas almas. No silêncio, nos é concedido o privilégio de ouvir a voz d’Ele... Para tornar possível o verdadeiro silêncio interior, pratique. Silêncio dos olhos... Silêncio dos ouvidos... Silêncio da língua... Silêncio do coração.” p. 113


Resumo do 8º princípio: USE O PODER DO SILÊNCIO

• Silêncio tem a ver com parar
• Pare de falar – ouça
• Pare sua mente – reflita
• Silencie seu coração – ame

“No instante da morte, não seremos julgados de acordo com o número de boas ações que fizemos ou pelos diplomas que recebemos durante a vida. Seremos julgados de acordo com o amor que dedicamos ao nosso trabalho.” MADRE TERESA

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

RESUMO - VIDA E OBRA HENRI WALLON - As emoções são a exteriorização da afetividade (...) Nelas que se assentam os exercícios gregários que são uma forma primitiva de comunhão e de comunidade. As relações que elas tornam possíveis afinam os seus meios de expressão, e fazem deles instrumentos de sociabilidade cada vez mais especializados. (Wallon, 1975:143)

1. BREVE BIOGRAFIA Henri Wallon nasceu em Paris, França, em 15 de junho de 1879. Viveu em Paris até a sua morte, em 1962. Foi muito influenciado pelas idéias liberais, republicanas e humanistas de seu avô e seu pai. Interessou-se pela ciência, especialmente pela psicologia. Aos 23 anos formou em filosofia, iniciando sua vida profissional, lecionando Filosofia no Liceu Bar-le-Duc. Desde sua juventude, pleiteava a igualdade e a solidariedade entre os homens. Formou em medicina aos 29 anos. De 1914 até 1918, foi mobilizado como médico de batalhão, dedicando ao tratamento dos feridos de guerra, nesta ocasião teve a oportunidade de aprofundar as relações entre as manifestações psíquicas e orgânicas das lesões. A partir do contato com os ex-combatentes elaborou uma revisão de seus estudos. Até 1931, atuou como médico em instituições psiquiatras, onde se dedicou às crianças com deficiências neurológicas e distúrbios de comportamento. Esse seu trabalho leva-o a um interesse cada vez maior pela psicologia da criança, tendo sido responsável, no período de 1920 a 1937, pelas conferências sobre a psicologia da criança, em várias instituições da criança, em várias instituições de ensino superior. Viveu intensamente sua vida, num momento social de muita mudança e contestação, como afirma Isabel Galvão (1995:17) “Henri Wallon viveu num período marcado por muita instabilidade social e turbulência política. Acontecimentos como as duas guerras mundiais (1914 -18 e 1939 – 45), o avanço do fascismo no período entre guerras, as revoluções socialistas e as guerras para a libertação das colônias na África atingiram boa parte da Europa e, em especial, a França”. Durante a ocupação Alemã, de 1940 e 1944, Wallon foi perseguido e acuado, vivendo um tempo na clandestinidade, utilizando um pseudônimo de René Hubert, morando em cômodos insalubres, fugindo do governo fascista de Vichy e pela policia de Hitler. Em 1941 foi proibido de lecionar, mas continuou encontrado com seus discípulos na clandestinidade. Segundo Zazzo (1978) “Walon viveu com intensidade e complexidade, a perplexidade das relações com outrem e que foi graças a esta experiência, ora dolorosa, ora exultante, que se tornou o psicólogo que conhecemos”. Este seu discípulo o descreve com tanta humanidade e emoção, como podemos comprovar no trecho abaixo: Minha compreensão de Wallon é feita tanto de simpatia como de razão. Os seus escritos falam-me com a sua voz, com a entoação da sua voz que eu sei, em tal palavra, em tal frase, em tal argumento, hesitante ou peremptória. Não posso meditar sobre sua obra sem o ouvir, sem o ver. (Zazzo, 1978:147) Wallon foi chamado em 1944, a integrar uma comissão nomeada pelo Ministério da Educação Nacional, sendo um dos encarregados da reformulação do sistema de ensino Francês, assumindo a presidência desta comissão após a morte do físico Paul Langevin. Os trabalhos da comissão resultaram num ambicioso projeto de reforma do ensino chamado o Plano Langevin-Wallon. Segundo Galvão, (1995) “este projeto é a expressão mais concreta de seu pensamento pedagógico. Portador do espírito reinante na Resistência, o plano representa as esperanças em uma educação mais justa para uma sociedade mais justa”. Apesar de tantos esforços este plano não chegou a ser implantado. Em 1948, cria a revista Enfance, publicação que deveria ser ao mesmo tempo instrumento para os pesquisadores em psicologia e fonte e informações para os educadores. Esta revista é publicada até hoje tentando seguir a mesma linha editorial da primeira publicação. Ao longo da sua trajetória, o psicólogo Henri Wallon foi aproximando cada vez mais da educação. Participando ativamente do debate educacional de sua época, juntando ao Movimento da Escola Nova, que criticava o ensino tradicional. Escreveu diversos artigos sobre temas ligados à educação, como orientação profissional, formação do professor, interação entre alunos, adaptação escolar. Presidiu o grupo Francês de Escola Nova de 1946 a 1962. Nessa função reuniu com vários educadores para trocar experiências e refletir a respeito dos problemas concretos do ensino primário. A psicologia genética é um estudo focado nas origens, na gênese dos processos psíquicos. Conforme Galvão (1995), Wallon propõe o estudo integrado do desenvolvimento – afetividade, motricidade, inteligência -, como campos funcionais entre os quais se distribui a atividade infantil. O homem é um ser “geneticamente social”. É a psicogênese da pessoa completa. Wallon parte do pressuposto de que o conhecimento está fora do individuo, ou seja, está no social, e a grande mola impulsionadora é a motricidade. Ao contrário de Piaget, que buscava a gênese da inteligência, Wallon pretendia a gênese da pessoa. Segundo Mahoney (2004:14) o “foco das descrições e explicações da teoria de Henri Wallon é essa relação da criança com o seu meio, uma relação recíproca, complementar entre fatores orgânicos e socioculturais. Esta transformação e é nela que se constrói a pessoa”. Desta forma, o sujeito é determinado fisiológica e socialmente, ou seja, é resultado tanto das disposições internas quanto das situações exteriores. A psicogênese da pessoa completa é o estudo da pessoa em todos seus aspectos afetivos, cognitivos e motores de maneira integrada. O estudo do desenvolvimento humano deve considerar o sujeito como “geneticamente social”, e realizar os estudos da criança contextualizada, nas relações com o meio. A partir das reações das pessoas à sua volta, aos seus reflexos e movimentos impulsivos, a criança passa atuar no ambiente humano, desenvolvendo o que Wallon denomina de motricidade expressiva, os seja, a dimensão afetiva do movimento. A criança é essencialmente emocional e, gradativamente, vai adquirindo-se um ser sócio cognitivo. Segundo Galvão (1995), Wallon argumenta que as trocas relacionais das crianças, com os outros, são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico, no qual ficarão envolvidas em um “sincretismo subjetivo” por, pelo menos, três anos. Durante esse período, de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano, sua compreensão das coisas dependerá dos outros, que darão, às suas ações e movimentos, formato e expressão. A função simbólica inibe o movimento, ou seja, a partir do momento em que o sujeito assimila os signos sociais (fala, escrita, etc.) a comunicação motora passa a ser substituída por outros meios. No seu desenvolvimento, o sujeito caminha do sincretismo (sentimentos de idéias confusas, sem clareza da situação) em direção à diferenciação (sentimentos mais claros e adequados às necessidades que a situação apresenta). A aquisição da linguagem muda radicalmente à forma de relação da criança com o meio. A linguagem é indispensável ao progresso do pensamento. Wallon dá grande importância ao meio na constituição da pessoa. Assim a pessoa deve ser vista integrada ao meio do qual é parte constitutiva, e no qual, ao mesmo tempo, se constitui; como podemos verificar em Galvão (1995) mostrando que Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. Para ele, o meio social e a cultura constituem as condições, as possibilidades e os limites do desenvolvimento do organismo. Wallon propõe estágios de desenvolvimento, assim como Piaget, porém, ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear e continuo, mas sim, a integração de novas funções e aquisições anteriores. O desenvolvimento humano é dialético. 3. ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO SEGUNDO HENRI WALLON A dimensão temporal do desenvolvimento para Walon vai do nascimento até a sua morte, distribuídos em estágios, numa seqüência característica da espécie, embora seu conteúdo varie histórica e culturalmente.Os estágios são: impulsivo- emocional, sensório-motor e projetivo, personalismo, categorial, puberdade e adolescência. Para o autor em cada estágio há uma pessoa completa. 1º Estagio - Impulsivo-emocional: (0 a 1 ano). Os primeiros meses de vida caracterizam-se por uma fusão total com o meio e pelo desenvolvimento rápido e completo dos automatismos emocionais responsáveis pela mobilização do meio humano para a satisfação das necessidades dos bebês. Estes automatismos dependem de centros nervosos especiais e aparece na criança como fato de maturação. A criança expressa sua afetividade através de movimentos descoordenados, respondendo a sensibilidades corporais. Os atos da criança têm o objetivo de chamar a atenção do adulto para que se satisfaça a sua necessidade e garanta a sua sobrevivência, pois: “o recurso de aprendizagem neste momento é a fusão com outros. O processo ensino-aprendizagem exige respostas corporais, contactos epidérmicos, daí a importância de se ligar com o cuidador, que segure, carregue, que embale. Através desta fusão, a criança participa intensamente do ambiente e, apesar de percepções, sensações nebulosas, pouco claras, vai se familiarizando e apreendendo esse mundo, portanto, iniciando um processo de diferenciação”. (Mahoney e Almeida, 2005) 2º Estágio - Sensório-motor e projetivo: (1 a 3 anos). A criança realiza um extenso e diferenciado acordo entre as percepções e os movimentos. Esta relação em sua forma mais simples é o ato reflexo, ou seja, a uma determinada excitação corresponde um determinado movimento. Com a maturação neurológica, os reflexos são inibidos e a criança se torna capaz de realizar exercícios sensório-motores que conduzem a um duplo resultado: ligar o efeito perceptível aos movimentos próprios para produzi-los, e diversificar os movimentos e os efeitos possíveis. Com a aquisição dos movimentos da marcha e da pressão, a criança adquire autonomia na manipulação dos objetos e na exploração dos espaços. Neste estágio ocorre o desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. A criança aprende a conhecer os outros como pessoas em oposição à sua própria existência. No estágio sensório-motor, permanece a subordinação a um sincretismo subjetivo (a lógica da criança ainda não está presente), predomina as relações cognitivas da criança com o meio. Wallon identifica o sincretismo como sendo a principal característica do pensamento infantil. 3º Estágio - Personalismo: (3 a 6 anos). Construção da consciência de si, mediante as interações sociais. Ela percebe as relações e os papéis diferentes dentro do universo familiar, ao mesmo tempo em que se percebe como um elemento fixo, como ser o filho mais velho ou o mais novo, ser filho e irmão, assim por diante. Nessa idade, a criança também costuma ingressar na escola maternal, inserindo-se numa comunidade de crianças semelhantes a ela, onde as relações serão diferentes das relações familiares. Nesta fase a criança está voltada novamente para si própria, ela é mediada pela fala e pelo domínio do “meu/minha”, faz com que as idéias atinjam o sentimento de propriedade das coisas. A tarefa central é o processo de formação da personalidade. No personalismo a criança aprende principalmente pela oposição ao outro, pela descoberta do que a distingue de outras pessoas, pelo deslocamento da inteligência prática, ou das situações para a inteligência verbal, ou representativa. 4º Estágio - Categorial: (7 a 12 anos). Neste estágio os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas, para o conhecimento e conquistas do mundo exterior. É a idade da escolaridade obrigatória na maioria dos países. O desenvolvimento cognitivo da criança está aguçado e a sua sociabilidade ampliada. A criança se vê capaz de participar de vários grupos com graus e classificações diferentes segundo as atividades de que participa, como afirma Wallon: “A criança já não é função unicamente do grupo familiar. Concebe-se no meio dos seus camaradas como unidade que se pode acrescentar a grupos diferentes, que se pode classificar de modo diferente, segundo as actividades nas quais toma parte: a corrida, a facilidade na aprendizagem da leitura, do cálculo, etc. A criança é capaz de se ver como uma unidade suscetível de entrar em vários grupos e, juntando-se-lhes, de os modificar”. (Wallon 1975:213) 5º Estágio – puberdade e adolescência: (12 anos em diante). Fase marcada pelas transformações fisiológicas e psíquicas, com preponderância afetiva. Há nova definição dos contornos da personalidade, que ficam desestruturados com as transformações ocorridas. Wallon afirma que, neste período, torna-se bastante visível o condicionamento da pessoa pelo meio social. Nesse estágio, os sentimentos se alternam procurando buscar a consciência de si na figura do outro, contrapondo–se a ele, além de incorporar uma nova percepção temporal. O meio social e cultural passam a ser de grande importância. Os adolescentes tornam-se intolerantes em relação às regras e ao controle exercidos pelos pais, e necessitam identificar-se com seu grupo de amigos. Na adolescência torna-se bastante visível a forma como o meio social condiciona a existência da pessoa, configurando-se a personalidade de maneiras diversas. Enquanto os adolescentes de classe média exteriorizam seus sentimentos e questionam valores e padrões morais, os de classes operárias, que enfrentam precocemente a realidade social do adulto, a necessidade de trabalho, vivem essa fase de outra maneira, pois têm de contribuir para a subsistência da família. O processo de socialização dá-se pelo contato com o outro e, também, pelo contato com a produção do outro (texto, pintura, música, etc). Para Wallon, a cultura geral aproxima os homens, pois permite a identificação de uns com os outros. Ao contrário, a cultura específica os separa. Neste estágio, segundo Mahoney e Almeida, 2005 “o recurso principal de aprendizagem do ponto de vista afetivo volta a ser a oposição, que vai aprofundando e possibilitando a identificação das diferenças entre idéias, sentimentos, valores próprios e do outro, adulto, na busca para responder: quem sou eu? Quais são meus valores? Quem serei no futuro?, que é permeada por muitas ambigüidades. 4. TEORIA DA EMOÇÃO Na teoria de Wallon, a dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto do ponto de vista da construção da pessoa, quanto do conhecimento. A emoção é vista como um instrumento de sobrevivência, típico da espécie humana; se não fosse pela capacidade de mobilizar poderosamente o ambiente no sentido do atendimento de suas necessidades, o bebê humano não sobreviveria. A sua teoria da emoção é extremamente original, tem uma inspiração darwinista. A emoção, antes da linguagem, é o meio utilizado pelo recém-nascido para estabelecer uma relação com o mundo externo. Não é por acaso que seu choro atua de forma tão intensa, sobre a mãe: é esta a função biológic que dá origem a um dos traços característicos da expressão emocional: sua alta cotagiosidade, seu poder epidêmico. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GALVÃO, Isabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995 MAHONEY Abigail Alvarenga; ALMEIDA Laurinda Ramalho de. Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuições de Henri Wallon. Psicologia da Educação, São Paulo, v. 20, 2005. MAHONEY, Abigail Alvarenga; ALMEIDA, Laurinda Ramalho (org). A constituição da Pessoa na proposta de Henri Wallon. São Paulo, Edições Loyola, 2004. RODRIGUES, Sandro Rodrigues, SILVA, Ana Tereza Reis da, PARIZ, Josiane Domingas Bertoja. Teorias da Aprendizagem. Curitiba: IESDE, 2003. WALLON, Henri. Psicologia e educação da infância. Lisboa: Estampa, 1975. ZAZZO, René. Henri Wallon: psicologia e Maxismo. Lisboa, Veja,1978.

A Razão Do Medo - A Gestão Do Autoconhecimento

A Razão Do Medo - A Gestão Do Autoconhecimento Helena Ribeiro O medo é uma emoção que sinaliza ao homem a existência de um perigo, de uma ameaça (real ou imaginária), positiva ou negativa. A necessidade do homem em sentir-se protegido e seguro é natural. Porém, o medo ou a fobia muitas vezes tem o poder de paralisa O medo é uma emoção que sinaliza ao homem a existência de um perigo, de uma ameaça (real ou imaginária), positiva ou negativa. A necessidade do homem em sentir-se protegido e seguro é natural. Porém, o medo ou a fobia muitas vezes tem o poder de paralisar e impedir o crescimento pessoal ou profissional, que através deste, o indivíduo pode esconder-se de si mesmo, das relações com o próximo, de sonhar, inovar, arriscar, crescer, entre outros. O medo se apresenta em várias situações. Algumas pessoas têm medo de andar de avião, ficar sozinho, falar em público, do futuro, de sonhar, etc. E existem alguns medos que são classificados como fobias, como por exemplo: claustrofobia (medo de lugares fechados), acrofobia (medo das alturas), agorafobia (medo de lugares públicos, situações sociais), entre outros. Para facilitar, poderemos classificar o medo em formas e níveis diferentes: natural, traumático ou fóbico. Medo natural: O medo natural tem como objeto principal um perigo (fato ou situação) que realmente atinge seu bem estar e provoca males. Muitas vezes é possível vencer o medo natural através da fé e da coragem ou confiando no gesto de apoio do outro. O medo natural pode ter a função de sinalizar ao homem sobre um perigo ou ameaça eminente e assim contribuir para proteção deste. Com isso, procura abrigo e proteção. Medo traumático: Este é o forte medo desencadeado por situações traumáticas, que marcaram a vida ou imaginado pela pessoa dessa forma. Esse medo também pode se apresentar como uma ausência de coragem e forte dificuldade em lidar com as perdas que já sofreu, pensa-se que irá reviver as mesmas situações. Há casos em que se manifesta através de um forte desânimo ou depressão, trazendo barreiras ou impedimentos ao crescimento pessoal e profissional. Há profissionais que por medo, escondem seus talentos, limitando seus potenciais e crescimento, ou seja, não acreditam em suas potencialidades e assim, vivem frustrados e não investem no aprimoramento de suas habilidades e competências. Na verdade, alguns nem acreditam que as têm. Fobia: A fobia pode ser considerada como uma grave angústia que apresenta sensação de ansiedade; imobiliza e restringe o indivíduo. O fóbico vivencia verdadeiro tormento e pânico diante do objeto temido ou situação, que nem sempre apresenta um perigo real. A fobia é um tipo de medo excessivo e irracional de algo específico, provocando ação de evitar a qualquer custo este encontro desconfortável. Pode apresentar os seguintes sintomas fisiológicos: aceleração cardíaca e de respiração, sudorese, secura na boca, tensão muscular e tremores. Quando o indivíduo está diante de uma situação ou circunstância por ele temida, ocorre um desequilíbrio de substâncias (serotonina e dopamina) no cérebro. Esta pode ser uma reação normal que possibilita ao indivíduo enfrentar, defender-se ou fugir, preservando assim seu equilíbrio e/ou integridade física. No entanto, no caso da fobia, a situação normalmente não representa um perigo real. Pelo menos na proporção imaginada. Estas sensações de ansiedades, as conhecidas e controladas, são comuns para muitos profissionais que interagem diretamente com um público, tais como: atores, palestrantes, consultores, mestre de cerimônias, ou seja, um profissional ante uma platéia sente estes sintomas fisiológicos, em maior ou menor grau de intensidade, que pode se manifestar de 1 a 5 minutos no início de sua apresentação, tempo este em que o orador experiente supera e controla estas reações. Graças a Deus temos estas sensações, que compreendidas e controladas, fazem parte do sucesso de grandes oradores. Haja vista, que uma boa comunicação, também é carregada de fortes emoções. Superação: Há possibilidades de vários tratamentos àqueles que vivenciam questões relacionadas ao medo, inclusive nos modelos bíblicos existem várias referências, as do bem estar, aos pontos negativos para reflexão, como no caso de Adão, onde aprendemos a recuar, a nos esconder, a temer os castigos, a desconfiar de Deus, a não acreditar no próximo, a agredir e a trair. Mas também com Jesus, aprendemos a respeito do AMOR, da fé, da coragem, do perdão... Se temos a figura de Adão como perdido, confuso, culpado e atemorizado, também temos a figura de Cristo que enfrentou situações terríveis: afrontas, traição, julgamentos, rejeição, desprezo, solidão, dores e a morte. É preciso ter atitudes de coragem para mudar de comportamento e enfrentar o novo, se arriscar, mesmo sabendo que as dificuldades, perdas e frustrações possam surgir. Afinal, Cristo foi único, nós Humanos, a partir do medo, podemos evitar desfechos tão extremos. É importante aprendermos a lidar com todos os tipos de medo. O medo natural é utilizado como um mecanismo para nos defendermos, e muitas vezes é necessário para nossa proteção. O medo traumático ou fóbico pode ser um sinal de que algo não está bem, ou seja, é a existência de um conflito interno que precisa ser analisado e tratado. Para os casos mais graves, o processo terapêutico pode ser uma alternativa de solução, possibilitando assim a superação deste obstáculo. Para todos os casos e em especial o de Fobia, uma boa alternativa é à busca do autoconhecimento, como, por exemplo, interar-se de como é formada a nossa personalidade. Como posso lidar com minhas emoções? Como rever e equilibrar meus conceitos de vida, entre eles, os: Ensinados, Pensados e Sentidos, que fazem parte na formação da personalidade e usamos no dia a dia. Uma das técnicas simples é o conhecimento da Análise Transacional (AT). Eric Berne, o criador da AT, afirma que nossa personalidade é formada por três estados de ego: Pai (conceitos ensinados) Adulto (conceitos pensados) e Criança (conceitos sentidos), todos atuando em circuitos positivos e negativos, em maior ou menor grau..., um exemplo é o estado de ego Criança, que age naturalmente sem adaptações e máscaras, é a criança que existe dentro de nós e que mesmo adulto, não morreu. Ela é impulsiva, cativante, espontânea, que sente medo, raiva, ri, chora, ama, odeia e que muitas vezes está adormecida dentro de nós. A compreensão dos estados de ego, a liberação da criança livre, interagindo com o adulto e o pai, é também uma excelente opção para a superação das fobias e medos. Em vários programas de treinamento utilizo de forma estratégica os conceitos de Análise Transacional que, somado as competências chaves do programa, auxiliam o desenvolvimento dos profissionais na era dos "autos", autoconhecimento, auto-estima, automotivação, autoconfiança, auto-realização, entre outros, que também tem como objetivo a superação dos "medos" individuais e de equipe. Fecho este artigo com uma mensagem de reflexão do livro: Você é o Melhor de Deus - Um clássico sobre o valor humano de T.L.Osborn. "O primeiro passo é reconhecer o seu valor. Quando você faz assim, você faz as sementes da grandeza germinar em você. Aquelas sementes crescerão. Serão como um milagre operando em você". Você começa a pensar, sentir e falar como alguém de valor, de dignidade. O valor que você dá a si mesmo impõe respeito. Os outros o tratam como você se trata. Eles o vêem como você se vê. Você merece a confiança dos outros quando pratica o confiar em si mesmo. Você carimba seu próprio valor na sua vida mediante seus próprios pensamentos, palavras e ações. Nunca mais acalente pensamentos aviltantes acerca de si mesmo. "Nunca fale nem aja como uma pessoa de segunda classe." fonte: http://www.rhportal.com.br/artigos/wmview.php?idc_cad=gmy_obg2v. Acesso em 1º set. 2011.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

COMPREENDER E ENSINAR: Por uma docência da melhor qualidade - Terezinha Azerêdo Rios

COMPREENDER E ENSINAR NO MUNDO CONTEMPORÂNEO - É a articulação entre Filosofia e Didática - saberes que contribuem para a construção contínua da competência do professor. Filosofia - é a reflexão e a compreensão da atuação dos seres humanos no mundo. Didática - é a preocupação com o ensino, a socialização, criação e recriação. Tanto a Filosofia como a Didática são saberes humanos historicamente situados eé preciso verificar as caraterísticas do contexto, nos quais eles desempenham suas funções e quais as alternativas para que estes sujeitos possam "fazer acontecer". A responsabilidade pelo ensino está dispersa, mas há uma grande preocupação com ele e pode-se constatar que as demandas colocadas à Filosofia ainda são muito grandes. Assim sendo, encontra-se no campo da educação a perspectiva de uma ressignificação da ciência do ensinar. Nosso mundo, nosso tempo - precariedade e urgências – É necessário refletir sobre os possíveis caminhos através da Filosofia e da Didática. Na passagem do novo milênio, do novo século, o que se afirma é que se enfrenta uma crise de significados da vida humana, das relações entre as pessoas, instituições e comunidades. A crise aponta para duas perspectivas - perigo e oportunidades. Quando consideramos o perigo, estamos envolvidos por uma atitude negativa, ignorando as alternativas de superação, e quando considera-se a perspectiva de oportunidade, estamos à mercê da crítica, da reflexão e a da reorientação da prática. Este mundo, definido como pós- moderno, tem a referência de uma modernidade antecedente. A modernidade caracterizou-se como um período em que a razão é como um elemento explicador e transformador do mundo. Ser moderno implicava em lançar-se à aventura da razão instrumental, tecnológica. Do ponto de vista político-econômico instalou-se o modelo liberal, a defesa do livre mercado, o incentivo à especialização, a discussão sobre os ideais de liberdade e igualdade. Globalização - fenômeno da expansão de inter-relações, principalmente de natureza econômica, em uma escala mundial, entre países e sociedades de todo o mundo, reflete o progresso tecnológico e o crescimento da pobreza em todas as regiões do mundo. É a convivência com a exclusão social. É um mundo desencantado que despreza alguns valores fundamentais na construção do mundo e do ser humano. Neste mundo complexo, também se tornam mais complexas as tarefas dos educadores. E neste contexto, qual será a atitude a se tomar no campo do trabalho docente, na perspectiva da educação e da filosofia? A autora ressalta algumas demandas que se configuram como desafios: • Um mundo fragmentado exige para a superação da fragmentação, uma visão de totalidade, um olhar abrangente e, no que diz respeito ao ensino, a articulação estreita dos saberes e capacidades; • Um mundo globalizado requer, para evitar a massificação e a homogeneidade redutora, o esforço de distinguir, para unir a percepção clara de diferenças e desigualdades e, no que diz respeito ao ensino, o reconhecimento de que é necessário um trabalho interdisciplinar que só ganhará sentido se partir de uma efetiva disciplinaridade; • Num mundo em que se defronta a afirmação de uma razão instrumental e a de um irracionalismo é preciso encontrar o equilíbrio, fazendo a recuperação do significado da razão articulada ao sentimento e, no que diz respeito ao ensino,à reapropriação do afeto no espaço pedagógico. Compreender o mundo - Através da Filosofia faz-se uma reflexão e objetiva-se um saber inteiro com clareza, abrangência e profundidade, orienta-se num esforço de compreensão que é o desvelamento da significação, o valor dos objetos sobre os quais se volta. Conceito de compreensão - uma referência a uma dimensão intelectual e a uma dimensão afetiva. Faz-se necessária também uma atitude de admiração diante do conhecido. Aristóteles afirmava que a admiração é o primeiro estímulo que o ser humano tem para filosofar. Na prática, o que fascina e intriga? A resposta está na vivência das situações-limite, ou situações problemáticas. Quando se faz uma reflexão sobre o próprio trabalho, questiona-se a sua validade, o seu significado. As respostas são encontradas em dois espaços: na prática - na experiência cotidiana; na reflexão crítica - sobre os problemas que esta prática faz surgir como desafios. Ensinar o mundo - Etimologicamente; didática em grego didaktika, derivado do verbo didasko - significado "relativo ao ensino". Para Coménio - "a arte de ensinar". A definição de Didática engloba duas perspectivas: uma ciência que tem um objeto próprio, como um saber, um ramo do conhecimento, e uma disciplina que compõe a grade curricular dos cursos de formação de professores. O ensino como objeto da Didática, é considerado como uma prática social que se dá no interior de um processo de educação e que ocorre informalmente, seja espontânea, ou formalmente, de maneira sistemática, intencional e organizada. De maneira organizada, se desenvolve na instituição escolar realizado a partir da definição de objetivos, conteúdos a serem explorados no processo educacional. A relação professor-aluno, por intermédio do gesto de ensinar, propicia um exercício de meditação, é o encontro com a realidade, considerando o saber já existente, e procura articular a novos saberes. Este processo possibilita aos alunos a formação e o desenvolvimento de capacidades, habilidades cognitivas e operativas. Logo, o ensino através da ação específica do docente caracteriza-se como uma ação que se articula à aprendizagem. Diante desta apresentação, a autora faz um alerta reflexivo na seguinte frase: "O professor afirma que ensinou e que infelizmente os alunos não aprenderam". A Didática é um elemento fundamental para o desenvolvimento do trabalho docente. "Um bom professor é reconhecido pela sua didática". Esse conceito é identificado como um"saber fazer". A Didática deve ser entendida em seu caráter prático de contribuição ao desenvolvimento do trabalho de ensino, realizado no dia- a- dia da escola. (Oliveira, M.R.S., 1993:133-134). • Didática e Filosofia da Educação: uma interlocução - Na música de Gilberto Gil"Hoje o mundo é muito grande, porque a Terra é pequena" e no Vasto mundo de Drumond de Andrade. O mundo cuja extensão se torna maior em função da intervenção contínua dos seres humanos, construindo e modificando a cultura e a história. Como ser professor neste mundo? O que é ensinar? Como e de que modo os alunos aprendem? A fragmentação do conhecimento, da comunicação e das relações comprometem a prática educativa. Portanto, é preciso um novo olhar e uma articulação estreita de saberes e capacidades para que a Filosofia da Educação abranja o processo educativo em todos os aspectos. A Didática necessita dialogar com a diversidade dos saberes da docência, enfrentar os desafios e buscar alternativas para pensar e repensar o ensino. Este contexto implica a revisão de conteúdos, de métodos, do processo de avaliação, novas propostas e novas organizações curriculares. Ensinar - Muitas questões se apropriam da prática docente, com o objetivo de estabelecer vínculos entre o conhecimento e a formação cultural, o desenvolvimento de hábitos, atitudes e valores. A autora ressalta com base em Selma G. Pimenta em "O estágio na formação de professores"- 1994, que são necessárias novas questões para um novo cenário educacional e para o novo milênio. O fenômeno da globalização é uma percepção clara das diferenças e especificidades dos saberes, e das práticas para realizar um trabalho coletivo e interdisciplinar. Interdisciplina - ressalta "mistura de trabalhos" que é a maneira equivocada em que ocorre a interdisciplinaridade, em torno de um tema. Na verdade, a interdisciplinaridadeé algo mais complexo, que só ocorre quando trata verdadeiramente de um diálogo ou de uma parceria, que é constituída exatamente na diferença, na especificidade da ação de grupos ou indivíduos que querem alcançar objetivos comuns. É preciso ter muita clareza do tipo de contribuição que cada grupo pode trazer, na especificidade desta contribuição, que é a disciplinaridade. COMPETÊNCIA E QUALIDADE NA DOCÊNCIA - É uma reflexão sobre a articulação dos conceitos de competência e de qualidade no espaço da profissão docente. Estes termos são empregados com múltiplas significações, gerando equívocos e contradições. A idéia de ensino competente é um ensino de boa qualidade. É fazer a conexão estreita entre as dimensões: técnica, política, ética e estética da atividade docente. Trata- se de refletir sobre os saberes que se encontram em relação à formação e à prática dos professores. O conceito de qualidade é abrangente, é multidimensional. Na análise crítica da qualidade, devem ser considerados os aspectos que possam articular a ordem técnica e pedagógica aos de caráter político - ideológico. A reflexão sobre os conceitos de competência e qualidade têm o propósito de ir em busca de uma significação que se alterou exatamente em virtude de certas imposições ideológicas. Em busca da significação dos conceitos: o recurso à lógica - A lógica formal permite analisar os conceitos em sua própria constituição. Para Aristóteles, a lógica foi chamada de organon, necessária em todos os campos do conhecimento. A compreensão dos termos tem sofrido modificações em virtude das características dos contextos em que são utilizados. Assim, o termo Competência, freqüentemente é usado para designar múltiplos conceitos como: capacidade, saber, habilidade, conjunto de habilidades, especificidade. Portanto, no que se refere à Qualidade observa-se: programa de computadores, qualidade de um atleta, o controle de qualidade de produtos industriais. O que realmente é importante não são as palavras, os termos, e sim os objetos da realidade que eles designam. No que diz respeito à educação de qualidade refere-se à história da educação brasileira. Recentemente, menciona-se com freqüência a necessidade de competência no trabalho do educador. • Qualidade ou qualidades? - Há uma multiplicidade de significados: educação de qualidade, está se referindo a uma série de atributos que teria essa educação, ou seja, um conjunto de atributos que caracteriza a boa educação. Usando a palavra Qualidade com a maiúscula, é na verdade um conjunto de "qualidades".Conforme a citação da autora, para Aristóteles, "a qualidade é uma das categorias que se encontram em todos os seres e indicam o que eles são ou como estão. As categorias são: substância, quantidade, qualidade, relação, tempo, lugar, ação, paixão, posição e estado". São breves referências no que diz respeito à noção de qualidade, e pode-se trabalhar no campo da educação. A educação é um processo de socialização da cultura, no qual se constróem, se mantêm e se transformam os conhecimentos e os valores. A esta definição chama-se categoria da "substância". Se este processo de socialização se faz com a imposição de conhecimentos e valores, ignorando as características dos educandos, diremos queé uma má educação. Toda educação tem qualidades. A boa educação pela qual desejamos e lutamos, é uma educação cujas qualidades carregam um valor positivo. Competência ou competências? - Como se abriga qualidade no conceito de competência? O termo é recente e passa a ser uma referência constante. Perrenoud reconhece que "a noção de competência tem múltiplos sentidos" e segundo sua afirmação: (...) uma competência como uma capacidade de agir eficazmente em um tipo definido de situação, capacidade que se apoia em conhecimentos, mas não se reduz a eles. Para enfrentar da melhor maneira possível uma situação, devemos em geral colocar em jogo e em sinergia vários recursos cognitivos complementares, entre os quais os conhecimentos. As competências utilizam, integram, mobilizam conhecimentos para enfrentar um conjunto de situações complexas. "Como guia, um referencial de competências adotado em Genebra - 1996 para a formação contínua", (lista das 10 competências): 1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem; 2. Administrar a progressão das aprendizagens; 3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação; 4. Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho; 5. Trabalhar em equipe; 6. Participar da administração da escola; 7. Informar e envolver os pais; 8. Utilizar novas tecnologias; 9. Enfrentar os deveres e dilemas éticos da profissão; 10. Administrar sua própria formação contínua. Com referência às 10 competências de Perrenoud, a autora ressalta: "competências são as capacidades que se apoiam em conhecimentos", é usado como sinônimo de outros termos como: capacidade, conhecimento, saber. Apresenta também, quatro tipos diferentes de competências: (1998:14-16): 1. competência intuitiva; 2 - competência intelectiva; 3 - competência prática; 4 - competência emocional. Completando este capítulo, é preciso trabalhar com a perspectiva coletiva presente nas noções de qualidade e competência que são ampliadas na construção coletiva. DIMENSÕES DE COMPETÊNCIA - Uma definição de competência apresenta uma totalidade, ou seja, uma pluralidade de propriedades ( conjunto de qualidades de caráter positivo) mostrando suas dimensões: Técnica, Política, Ética, Estética e a estreita relação entre elas. A docência da melhor qualidade tem que se buscar, continuamente, e se afirmar na explicitação desta qualidade no que se refere a: o quê, por que, para que, para quem. Essa explicitação se dará em cada dimensão da docência: • dimensão técnica - a capacidade de lidar com os conteúdos, conceitos, comportamentos e atitudes, e a habilidade de construí-los e reconstruí-los com os alunos; • dimensão estética - diz respeito à presença da sensibilidade e sua orientação numa perspectiva criadora; • dimensão política - diz respeito à participação na construção coletiva da sociedade e ao exercício de direitos e deveres; • dimensão ética - diz respeito à orientação da ação fundada no princípio do respeito e da solidariedade, na direção da realização de um bem coletivo. FELICIDADANIA - Apresenta a re- significação da cidadania, como realização individual e coletiva. Cidadania - Identifica-se com a participação eficiente e criativa no contexto social. Democracia - A participação através do voto - "as decisões políticas". É necessário criar espaço para que se possa construir conjuntamente as regras e estabelecer os caminhos. Felicidade - Na articulação entre cidadania e democracia retoma-se a articulação entre aética e política. Alteridade e autonomia - É no convívio que se estabelece a identidade de cada pessoa na sociedade. A ação docente e a construção da felicidadania: 1. Construir a felicidadania na ação docente - é reconhecer o outro; 2. Construir a felicidadania na ação docente - é tomar como referência o bem coletivo; 3. Construir a felicidadania na ação docente - é envolver-se na elaboração e desenvolvimento de um projeto coletivo de trabalho; 4. Construir a felicidadania na ação docente - é instalar na escola e na aula uma instância de comunicação criativa; 5. Construir a felicidadania na ação docente - é criar espaço no cotidiano da relação pedagógica para a afetividade e a alegria; 6. Construir a felicidadania na ação docente - é lutar pela criação e pelo aperfeiçoamento constante de condições viabilizadoras do trabalho de boa qualidade. CERTEZAS PROVISÓRIAS - Uma reflexão sobre a formação e a prática docente. Articular os conceitos de competência e de qualidade que visam à possibilidade de uma intervenção significativa no contexto social. A melhor qualidade se revela na escolha do melhor conteúdo, para poder reverter conceitos, comportamentos e atitudes. A melhor qualidade se revela na definição dos caminhos para se fazer a mediação entre o aluno e o conhecimento. O critério que orienta a escolha do melhor conteúdo é o que aponta para a possibilidade dos exercícios da cidadania e da inserção criativa na sociedade. A melhor metodologia é a que tem como referência as características do contexto em que se vive, no desejo de criar, superar limites e ampliar possibilidades. A melhor qualidade revela-se na sensibilidade do gesto docente na orientação de sua ação, para trazer o prazer e a alegria ao contexto de seu trabalho e da relação com os alunos. Alegria no melhor sentido, resultante do contato com o mundo e da ampliação do conhecimento sobre ele. O ensino da melhor qualidade é aquele que cria condições para a formação de alguém que sabe ler, escrever e contar. Ler não apenas as cartilhas, mas os sinais do mundo, a cultura de seu tempo. Escrever não apenas nos cadernos, mas no contexto de que participa, deixando seus sinais, seus símbolos. Contar não apenas números, mas sua história, espalhar sua palavra, falar de si e dos outros. Contar e cantar nas expressões artísticas, nas manifestações religiosas, nas múltiplas e diversificadas investigações científicas. Fonte: http://www.professorefetivo.com.br/resumos/Compreender-e-Ensinar-Por-Uma-Docencia-da-Melhor-Qualidade.html Acesso em 21/12/11